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'Uma Noite em Sampa', de Ugo Giorgetti, capta o medo que assombra a metrópole

Em seu novo filme, Uma Noite em Sampa, Ugo Giorgetti toma como ponto de partida uma prática bastante disseminada no turismo cultura da cidade, a do grupo de pessoas que freta um ônibus e vem do interior do Estado em busca de uma noitada agradável. Começam por uma peça de teatro, depois vão a um restaurante e, por fim, embarcam de novo no ônibus de volta às suas casas.

Só há um porém. O motorista sumiu e ninguém sabe onde foi parar. O ônibus continua fechado, as outras pessoas vão indo embora e o grupo vê-se abandonado, em frente ao Teatro Ruth Escobar. A noite avança e o medo começa a tomar conta das pessoas. Todas elas têm experiência do que é viver em São Paulo. São ex-moradores que se mudaram para o interior em busca de melhor qualidade de vida. Voltaram agora à metrópole para um programa rápido e agradável. E agora estão com medo.

Em conversa com o jornal O Estado de S. Paulo, Ugo, que dirige o filme e assina o roteiro, conta por que resolveu escolher esse tema. "Quis falar um pouco desse medo generalizado, que pode ser real ou imaginário, mas que acaba paralisando as pessoas", diz o cineasta.

Para traçar esse retrato de cidade, Ugo trabalha em locação única, sempre em frente ao Ruth Escobar. E escolhe um elenco que vem em especial do teatro paulistano, gente que ele conhece do palco. Um dos seus atores preferenciais, Otávio Augusto, faz uma participação especial, numa cena rápida como um motorista de táxi.

"São atores e atrizes que eu conheço do teatro paulistano, sempre me convidam quando estão estreando alguma peça." Ugo fala que queria trazer para o filme esse rigor, esse artesanato, próprio da gente do teatro. "Esse é o diferencial deles e, além do mais, ensaiamos muito, o que permitiu fazer o filme todo em dez noites." Apesar do ensaio, ele diz, tudo, ou muita coisa se modifica no momento de rodar. "Quando a gente está em locação, com a câmera ligada, o papo é outro", afirma ainda.

Sobre a opção por uma locação única, o diretor diz que tem facilidade para isso: "Gosto do diálogo e uma situação como a descrita no filme pede muitas falas". Bem-humorado, não disfarça: "Mas também tem outra coisa: quando você está duro, e eu estou sempre duro, uma única locação diminui uma barbaridade o custo".

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.