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'Castelo Rá-Tim-Bum' antecipou uma revolução, diz Cao Hamburger

GABRIELA SÁ PESSOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Da virada do milênio para cá, desde que a franquia Harry Potter se tornou um sucesso, uma comparação tem perseguido o ator Luciano Amaral e o cineasta Cao Hamburger: as semelhanças entre o bruxinho britânico e o universo de "Castelo Rá-Tim-Bum".

Segundo Hamburger, criador do "Castelo", há mais semelhanças entre as duas histórias do que a base de narrativas fantásticas e de bruxaria, que acompanham a literatura desde sempre. Nos anos 1990, ele diz, "de alguma forma essa ideia estava no ar".

"O mundo esperava um aprendiz de feiticeiro chegar. Podia ser o Nino, mas foi o Harry Potter", afirmou Hamburger na tarde desta quinta (1º), em um painel na Comic Con com Paulo Silvestrini, diretor da Globo, mediado por Amaral ­-famoso ainda na infância pelo menino Pedro, do "Castelo".

Naqueles anos do "Castelo", os computadores e aparelhos celular estavam prestes a se popularizar, e a "magia" nas comunicações que a revolução digital permitia era parte do espírito da época.

"Sabíamos que algo ia acontecer, e de repente apareceu o Windows. A ideia de janelas que se abrem está presente naquela estrutura do 'Castelo' [com elementos do cenário que serviam como passagem para outras histórias]", afirmou Hamburger. "Tinha o prenúncio de uma grande revolução e, sem querer, a gente captou aquela loucura."

Procurado por emissoras americanas para vender o formato, Hamburger revelou que a TV Cultura, que produzia o programa infantil, nunca quis vender a ideia para o exterior. Ele diz acreditar que o "Castelo" representou o ápice criativo da emissora pública, que vinha investindo anos antes em grandes produções infantis como o "Mundo da Lua" e o "Rá-Tim-Bum".

NOVA FASE

Após rodar filmes para o público adulto -como "O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias" e "Xingu"­-, Cao Hamburger está de volta ao universo juvenil.

Pela primeira vez, escreve uma telenovela: a temporada de 2017 de "Malhação", dirigida por Paulo Silvestrini, que estreia no início do ano que vem.

Juntos, estão criando uma história ambientada em São Paulo, e não quiseram dar detalhes sobre a trama. A promessa é que retrate o jovem conectado, ao mesmo tempo em que buscará dialogar com os pais e avós que veem televisão junto com eles.

"Nunca pensei que fosse entrar nesse tipo de roubada. Se não fosse o Paulo, teria desistido", brincou Hamburger, sobre o trabalho longevo ­-e aberto, sob o julgamento do público- de escrever enquanto a obra vai ao ar.

Segundo o autor, é seu trabalho mais longo: "Castelo" teve 90 capítulos, disse, enquanto "Malhação" deve passar dos 200.