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Agon Teatro traz a Ibiporã o espetáculo “OVO”

(foto: divulgação) - Agon Teatro traz a Ibiporã o elogiado “OVO”
(foto: divulgação)

Com texto poético, peça aborda a morte e as relações familiares nos influxos do tempo. Apresentação celebra a eternidade do artista Henrique de Aragão, falecido exatamente há um ano

Dois irmãos que passaram a juventude no campo se reencontram na cidade em um momento decisivo: a morte da mãe. Reflexões sobre a vida e suas passagens permeiam o espetáculo “OVO”, do grupo Agon Teatro, que chega a Ibiporã após temporada de sucesso em Londrina.  O trabalho tem dramaturgia e direção de Renato Forin Jr., nascido em Ibiporã, e que está em cena ao lado da atriz Danieli Pereira. As apresentações são uma promoção da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da Fundação Cultural.

A peça realiza na cidade duas sessões: no dia 25 e 27 de agosto. A primeira apresentação será reservada a convidados e marca um ano da partida de Henrique de Aragão. Haverá, logo após o espetáculo, a exibição de trechos de um filme sobre o artista plástico e um bate-papo com o elenco na Casa de Artes e Ofícios Paulo VI.

No sábado, dia 27, a apresentação será às 20 horas, no Cine-Teatro Pe. José Zanelli, aberta ao público, com ingressos a R$20 e R$10 (meia), vendidos na bilheteria do teatro a partir das 19 horas. “OVO” tem 90 minutos de duração e o público será acomodado em cadeiras sobre o palco.

Dentro de três caixas, dois atores guardam as dores e os afetos silenciados de uma família. Progressivamente, os intérpretes dão vida a Édipo e Electra, personagens trágicos que, na trama autoral, são irmãos em conflito. A história evoca a zona rural de um Brasil arcaico, onde os dois foram criados.

A peça capta o instante em que Electra chega na cidade para dar a notícia da morte da mãe. “A montagem mostra os desdobramentos imaginários deste encontro tão marcante na vida de ambos. Lembranças e pressentimentos se confundem, trazendo reflexões universais sobre a sombra da morte que nos ronda, o desaparecimento das pessoas amadas no percurso da vida, a angústia da passagem do tempo, as incertezas a respeito de Deus e do destino”, explica o diretor Renato Forin Jr.

Ao abordar questões como estas, o Agon Teatro traz à tona elementos da tragédia clássica dentro de uma estrutura formal contemporânea. Em muitos momentos, os atores despem-se dos personagens, lançando ao público estilhaços de pensamento sobre o ofício teatral e as relações entre arte e vida. “A minha angústia é que a vida não se repete. Ela está sempre indo, indo, indo. Cada segundo é um nunca mais, você entende? Aqui no teatro é diferente”, diz, em certo momento, Danieli Pereira, que vive Electra.

Uma curiosidade da montagem é o espaço cênico. O público é disposto bem próximo dos atores, em torno de uma arena circular, onde acontecem transformações cenográficas e revelações de pequenas surpresas. “Cenário, figurino, iluminação, sonoplastia e a própria encenação conduzem os espectadores por uma viagem entre o cinza barulhento da cidade e as cores plácidas do campo. É como se a dramaturgia se concretizasse também espacialmente”, pontua o diretor. Para este deslocamento de paisagens, o Agon Teatro utiliza quilos de palha de arroz, terra, água, sementes verdes e mecanismos sonoros distribuídos no espaço. É uma peça, sobretudo, sensorial.

O diretor explica que, na trama, Édipo e Electra são revestidos por referências psicanalíticas e por uma humanidade cotidiana - o que gera o efeito de proximidade com os espectadores. “O espetáculo, no fundo, é bastante simples, no sentido de buscar e focar uma essência do gesto teatral: o efêmero, o que não se repete, o encontro real entre as pessoas - experiências cada vez mais raras”.

Construído ao longo de dois anos, “OVO” contou com um auxílio ilustre – a orientação cênica de Marcio Abreu, premiado diretor da Cia Brasileira de Teatro (Curitiba/Rio de Janeiro), que já trabalhou com atores de sucesso, como Renata Sorrah. No ano passado, a montagem contou com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina e participou da programação do Filo (Festival Internacional de Londrina), do Londrix (Festival Literário de Londrina) e circulou por cidades como Maringá e Arapongas.

É a primeira vez que o grupo Agon Teatro apresenta-se em Ibiporã, cidade natal de Renato Forin Jr. “O encontro que o teatro proporciona é sempre especial, mas, nesta ocasião, será ainda mais emocionante. Estar em Ibiporã, em locais da cultura que fomentaram meus primeiros impulsos para a arte e entre pessoas queridas vai ser muito marcante para nós. Agradeço ao secretário Julio Dutra pelo incentivo e pela oportunidade de celebrar um artista da qualidade de Henrique de Aragão, que colocou o nome de Ibiporã na história das artes visuais”, pontua o diretor.  

Agon Teatro - Criado em Londrina há quatro anos como um grupo de pesquisa, o Agon Teatro investiga a encenação e a dramaturgia contemporânea. Sediado na Vila Usina Cultural, mantém uma rotina de escrita, ensaios e treinamentos baseados em linhas de força da tradição e em suas possíveis reconfigurações no atual contexto das artes. A partir dessa proposta, seus fundadores, Renato Forin Jr. (doutorando em letras com ênfase em dramaturgia na UEL, ator e jornalista) e Danieli Pereira (bacharel em artes cênicas pela UEL, atriz e produtora cultural), desenvolvem trabalhos autorais, chamando a colaboração de artistas convidados.

Serviço

Espetáculo “OVO” (Agon Teatro)

25 de agosto (quinta-feira) – somente convidados

27 de agosto (sábado) Às 20 horas – apresentação aberta ao público (R$20 | R$10 – uma hora antes da apresentação, na bilheteria do teatro)

No Cine-Teatro Pe. José Zanelli (Av. Dom Pedro II, 368)

Informações: (43) 3178-0233  (Fundação Cultural de Ibiporã)