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Carlos Gomes: Um recital em Milão homenageou a liberdade

Em 8 de maio de 1888, cinco dias antes da Lei Áurea, que seria assinada pela princesa regente Isabel, dando fim à escravidão no Brasil, o imperador d. Pedro II estava na Europa, especificamente em Milão, para tratamento de saúde.

O imperador estava hospedado no Grande Hotel de Milão e se sentia melhor depois de começar um tratamento para pleurite seca, diagnosticada quando estava em solo europeu. Naquela noite, no salão nobre do hotel, seria realizado um recital em homenagem aos compositores brasileiros Carlos Gomes e seu amigo paraense Gama Malcher.

No programa, peças dos dois músicos e de outros autores, como Verdi. Carlos Gomes tocou ao piano e apresentou uma ária da sua ópera ainda inédita O Escravo (Lo Schiavo), que se referia a questão da escravidão, assim como a ária Bug-Jargal de Malcher.

"Antes de o recital começar, d. Pedro II foi dar um abraço em Carlos Gomes e lhe confidenciou o que aconteceria no Brasil em 13 de maio de 1888", contou o biógrafo Jorge Alves de Lima. O imperador disse ao compositor: "Carlos, daqui a cinco dias minha filha Isabel vai assinar a Lei Áurea, dando fim a uma das páginas mais tristes e nefastas da nossa História, a escravidão". "Carlos subiu ao palco mais feliz ao saber que, finalmente, o seu país aboliria a escravidão", revela ainda Alves de Lima.

Esse episódio estará num dos volumes da biografia de Carlos Gomes, que também trará o documento inédito do programa do recital, que pertenceu ao arquivo remanescente de Gama Malcher e foi cedido ao autor pelo prof. Clóvis Silva de Moraes Rego.

"O imperador ficou muito comovido com a ária de O Escravo, talvez comovido pelo que aconteceria no Brasil dias depois. Naquela noite, nosso imperador e Carlos Gomes, que era filho de negro e amigo de outro negro, o engenheiro André Rebouças, homenagearam a liberdade."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.