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Cercado de polêmicas, ‘Jesus, Rainha do Céu’ tem última exibição no FILO

(foto: Ligia Jardim/Divulgação) - Cercado de polêmicas, Jesus, Rainha do Céu tem última exibição no FILO
(foto: Ligia Jardim/Divulgação)

Três espetáculos integram a programação do Festival Internacional de Londrina (FILO) nesta segunda-feira (29).

 A maior expectativa é pela última exibição de ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’, peça que gerou reação do conselho de pastores de Londrina pro mostrar histórias bíblicas sob o prisma de um Jesus transgênero.

As sessões estavam programadas para a capela ecumênica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas foram transferidas para o anfiteatro maior do CCH por ‘questões de segurança’, segundo a universidade.

Nas duas exibições, o anfiteatro ficou lotado. Sem poder usar a capela ecumênica, os espectadores foram conduzidos em uma espécie de ‘procissão’ até o anfiteatro.

O espetáculo, marcado para as 20h, é uma mistura de monólogo e contação de histórias em um ritual que mostra Jesus no tempo presente, na pele de uma mulher transgênero. Histórias bíblicas são recontadas em uma perspectiva contemporânea, propondo uma reflexão sobre a opressão e a intolerância sofridas por pessoas trans* e minorias em geral na sociedade. “Contamos histórias como ‘O Bom Samaritano’, ‘A semente de mostarda’ e ‘A Mulher Adúltera’, como se se passassem na atualidade, para contextualizá-las com a vivência cotidiana de transexuais, como a atriz Renata Carvalho, de 33 anos, que vive Jesus no espetáculo”, destaca a diretora Natália Mallo.

“O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” estreou na Escócia em 2009, quando a autora sofreu críticas e ameaças de censura. Retornou em 2015 ao Fringe de Edimburgo, dentro da programação Made in Scotland, com grande repercussão de mídia e público. Neste ano, Jo Clifford recebeu também os prêmios Scottish Arts Club e LGBT Award, e a peça ganhou projeção internacional com turnês agendadas em diversos países.

Natalia Mallo conheceu esse texto em 2014, quando o espetáculo foi apresentado na capela de St. Mark’s em Edimburgo. Arrebatada, partiu de imediato para a tradução do texto e iniciou parceria artística com Jo Clifford e Susan Worsfold (diretora da montagem original). Em 2016, a companhia Queen Jesus Plays convidou Natalia para ser sua artista associada, dando início a uma profunda troca de experiências e referências, iniciadas com a montagem brasileira do espetáculo.

Renata Carvalho é atriz, professora e ativista santista com 20 anos de carreira no teatro. Sua interpretação oferece à montagem elementos de sua identidade política como travesti, ao mesmo tempo em que apresenta uma Jesus brasileira, ambígua e multifacetada.

Mergulho de escafandro

A partir das 20h no Centro Cultural Sesi, a companhia Aarpa de Teatro de Londrina encena o espetáculo “Mergulho de Escafandro”, escrito pelo jornalista Francismar Lemes.

Cinco refugiados encontram-se abandonados em um navio, à deriva em alto mar. Sem tripulação, sem água ou alimento, ausentes de qualquer esperança e atados a um destino incerto. Os personagens digladiam-se e expõem seus dramas existenciais em busca de algum alívio para suas dores. O espetáculo transporta a plateia para dentro deste universo soturno, onde personagens contracenam com suas sombras, em interpretações viscerais.

O texto escrito poremes e é resultado das atividades do Núcleo de Dramaturgia SESI Londrina (2015/2016), coordenado pelo dramaturgo Maurício Arruda Mendonça. Em sua concepção, o diretor Sérgio Mello colocou o público dentro do cenário, junto aos atores, mantendo a plateia à deriva, sem saber exatamente o que irá acontecer em cada cena.

Quando se calam os anjos

A Curitiba Cia de Dança sobe ao palco do Teatro Mãe de Deus às 20h30 para apresentar o espetáculo “Quando se calam os anjos”.

A precariedade das relações humanas, o desamparo, a solidão, a existência que se escoa por entre as tramas de uma modernidade falida. “Quando se Calam os Anjos” transporta para o palco questões que realçam um universo pós-moderno virtual, no qual vários encontros são marcados pelo descaso do outro ou até mesmo pela falência do ser humano. A dramaturgia se constrói a partir da inquietude, ironia, sensualidade e fisicalidade exuberante dos corpos poéticos desta jovem companhia.

Esta obra da Curitiba Cia de Dança tem direção coreográfica de Airton Rodrigues, bailarino e coreógrafo do Ballet Teatro Guaíra. A companhia foi criada em 2013 por Nicole Vanoni e um grupo de artistas de origem e experiências diferentes, unidos pela ideia de experimentação, pesquisa e criação em dança contemporânea, e na diversidade de experiências com outros coreógrafos.