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Com ricos efeitos visuais, 'Onde Vivem os Monstros' sobe ao palco do São Pedro

(Foto: Divulgação)  - Com ricos efeitos visuais, 'Onde Vivem os Monstros' sobe ao palco
(Foto: Divulgação)

Foi no início dos anos 1960 que um pequeno livro apresentou ao público a história de Max - que bem poderia ser a de tantas crianças mundo afora. Um certo dia, após muita bagunça, ele é colocado de castigo pela mãe. Mas, sozinho, acaba vendo seu quarto se transformar em um ambiente selvagem, onde ele terá contato com estranhas criaturas. São as "wild things" de Where the Wild Things Are, traduzido em português como Onde Vivem os Monstros, história de Maurice Sendak já transformada em filme de Spike Jonze, série de televisão e também uma ópera, que sobe neste sábado, 8, ao palco do Teatro São Pedro, em São Paulo.

O livro de Sendak comporta múltiplas interpretações. O próprio autor dizia que os personagens haviam surgido em sua mente como representações de familiares que ele não conheceu, mortos durante a Segunda Guerra Mundial.

Com o tempo, no entanto, passaram a simbolizar um dos temas que mais lhe interessavam como autor: o modo como as crianças lidam com sentimentos diversos, como perigo, tédio, medo, frustração, ciúmes, e descobrem a realidade de suas vidas. Daí à leitura psicanalítica é um passo: o ódio que Max sente ao ser colocado de castigo o faz ter contato com o seu próprio lado selvagem. Mas há quem diga que tudo isso é acessório: para a crítica Manohla Dargis, há sempre o risco de se estragar uma história delicada, que no fundo "trata de uma criança solitária libertada pelo poder de sua imaginação".

Foi com um pouco de tudo isso em mente que, nos anos 1980, o compositor alemão Oliver Knussen se uniu a Sendak para trabalhar em uma ópera baseada na história do livro. A adaptação do texto, de apenas 45 minutos, foi feita pelo próprio escritor. Mas a curta duração não significa uma partitura pouco ambiciosa. Pelo contrário: em entrevistas da época, Knussen explica que o objetivo foi criar um mundo sonoro mágico e, ao mesmo tempo, povoado de elementos psicológicos, fundamentais na história. Isso significa, na prática, uma música que aposta em contrastes a todo instante, evocando referências distintas, de Debussy a Mussorgski.

"É uma música diferente, com sonoridades diferentes, com muitas nuances, timbres. E tamanha riqueza é o que acabou guiando a construção da narrativa no palco. Toda a noção de movimento que desenvolvemos surgiu do poder da música", explica o diretor Caetano Pimentel, que assina a concepção cênica da montagem, com texto em português, ao lado de Giorgia Massetani, que levou para o projeto sua pesquisa e interesse pelo universo das artes gráficas e da ilustração. "O resultado é esse encantamento sobre o palco, com a presença dos monstros e um trabalho interessante de luz e efeitos visuais", explica Pimentel. "Em alguns momentos, é de dar medo", comenta.

Para Giorgia, a história do livro trata, acima de tudo, da formação de Max. "O trajeto do livro é esse caminho da formação da criança, às voltas com os seus sentimentos e com o modo como entende o mundo. O Max empaca perante o mundo dos adultos e o seu próprio universo, com suas próprias regras. Esse é, por conta disso, uma espécie de romance de formação", conta ainda. "Foi bastante interessante trabalhar com cantores abertos, que sabem desenvolver o movimento sobre o palco, interagindo com o aspecto visual, importante para as crianças que estarão na plateia. Os artistas precisaram encontrar de novo dentre deles mesmos essa sensação da infância, a descoberta dos sentimentos." Pimentel concorda. "O que nos motivou foi a possibilidade de explorar a questão da elaboração da raiva sobre o palco."

Elenco

Os figurinos foram criados por Laura Françozo e a luz foi desenvolvida por Kuka Batista. À frente da Orquestra do Theatro São Pedro dividem-se os maestros André dos Santos e Pedro Messias (nos dias 9 e 15). No elenco, a soprano Roseane Soares, como Max; a meio-soprano André Souza como Mama; e, dando voz aos monstros, estão a meio-soprano Cecília Massa, o tenor Daniel Umbelino, os barítonos Eduardo Fujita e André Rabello e o baixo Gustavo Lassen. Também participam os atores Edson Vigil, André Mello, Chris Vinagrette, José Junio, Júlio Leão e Lucas de Souza.

ONDE VIVEM OS MONSTROS

Teatro São Pedro. Rua Dr. Albuquerque Lins, 207, 3661-6600. Sáb. e dom., 17h; 4ª, 11h e 17h. R$ 30/R$ 80. Até 16/10. Estreia sábado

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.