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Igreja católica repudia peça do FILO que mostra Jesus transgênero

(foto: Ligia Jardim/Divulgação) - Igreja católica repudia peça do FILO que mostra Jesus transgênero
(foto: Ligia Jardim/Divulgação)

A Mitra Arquidiocesana de Londrina se pronunciou sobre a polêmica envolvendo a peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”, em cartaz no Festival Internacional de Londrina (FILO).

O teatro levantou polêmica ao retratar histórias bíblicas sob o prisma de um Jesus transgênero. “Como evento cultural, carece de visão histórica, teológica e ética. Usar a pessoa de Jesus de Nazaré, para propagar determinada opção sexual e a ideologia de gênero, é um desrespeito à verdade e ao direito de liberdade religiosa, universalmente reconhecido. Pior, é um ultraje ao Filho de Deus e aos que O seguem e Nele creem”, diz a nota assinada pelo arcebispo Dom Orlando Brandes, e os arcebispos eméritos Dom Albano Cavallin e Dom Geraldo Angello.

“Nós, católicos, respeitamos e acolhemos todas as pessoas e sua orientação sexual e também temos o direito de ser respeitados. Mais uma vez perdoamos as ofensas, mas isso não nos isenta de lamentar, repudiar e protestar, porém, sem violência”, complementa a nota.

 “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” estreou na Escócia em 2009, quando a autora sofreu críticas e ameaças de censura. Retornou em 2015 ao Fringe de Edimburgo, dentro da programação Made in Scotland, com grande repercussão de mídia e público. Neste ano, Jo Clifford recebeu também os prêmios Scottish Arts Club e LGBT Award, e a peça ganhou projeção internacional com turnês agendadas em diversos países.

O espetáculo é uma mistura de monólogo e contação de histórias em um ritual que mostra Jesus no tempo presente, na pele de uma mulher transgênero. Histórias bíblicas são recontadas em uma perspectiva contemporânea, propondo uma reflexão sobre a opressão e a intolerância sofridas por pessoas trans* e minorias em geral na sociedade. “Contamos histórias como ‘O Bom Samaritano’, ‘A semente de mostarda’ e ‘A Mulher Adúltera’, como se se passassem na atualidade, para contextualizá-las com a vivência cotidiana de transexuais, como a atriz Renata Carvalho, de 33 anos, que vive Jesus no espetáculo”, destaca a diretora Natália Mallo.

A nota enviada pela Mitra Arquidiocesana termina agradecendo as manifestações de repúdio à peça de teatro exibida no FILO. “Aconselhamos a fazermos adoração reparadora em nossas Igrejas. Todos sabemos que a Igreja católica é perita em arte e cultura. Para nós a arte é uma manifestação do bem, da verdade, da beleza e caminho para Deus”.