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Medianeira recebe 1º Filó Italiano

Foto: Divulgação - Medianeira recebe 1º Filó Italiano
Foto: Divulgação

O Grupo de Canto do Círculo Italiano estará realizando o 1º Filó Italiano de Medianeira, as vagas são limitadas para 50 participantes e devem ser adquiridas com os integrantes do Grupo. O evento acontece no dia 25 de maio às 20h no Sítio São Miguel Arcanjo. O valor é de R$ 20,00.

A História do Filó Italiano começa com a entrada dos imigrantes vindos da Itália ao Brasil, viajaram cerca de trinta dias cruzando o Atlântico de navio a vapor. Várias levas se espalharam em diversos pontos do Brasil e da América do Sul. Os que aqui se estabeleceram após desembarcarem no porto do Rio Guaíba, em Porto Alegre, subiram a serra com mulas carregando a bagagem e abrindo picadas com facão.

 As famílias eram numerosas e era comum pessoas morrerem no decorrer da viagem. A necessidade de sobrevivência e o anseio de buscar novos horizontes despertavam um espírito aventureiro encorajando-os a seguir sempre em frente.

Aqui chegando, não havia nenhuma infra-estrutura pronta para recebê-los. Montaram acampamentos, desbravaram matos e Ergueram suas casas; oficinas; fizeram seus moinhos; lavraram terra e dela cultivaram seu alimento, a região que a principio colocava dificuldades pelas acidentadas passou a ser um terreno fértil favorecido pelo clima para o cultivo de videiras. Afinal, o vinho a sagrada bebida de Baco não podia faltar.

A religiosidade era fundamental, uma marca fortemente presente na vida das famílias e da comunidade. Não faltavam imagens sagradas dentro dos lares, e obviamente, como não poderia deixar de ser, toda comunidade tinha uma capela. Traziam consigo o culto aos Santos de voto. Costumavam reunirem-se aos domingos à tarde para orar o terço e cantar “Lê Tánie” (Ladainhas cantadas). Uma vez por mês o padre vinha de longe a cavalo para a Santa Missa, pois o mesmo padre atendia várias capelas e aproveitava a oportunidade para realizar casamentos e batizados. Uma vez por ano dedicava-se um dia de festa ao Santo de voto da comunidade.

A festa era regada de churrasco, pão e vinho e não faltava a diversão como o jogo de bochas, carteado, jogo de mora e cantos típicos. Estas diversões eram comuns aos domingos. À tarde, no decorrer da festa e/ou encontros era servido o café com biscoitos.

Durante os dias de semana, costumavam reunirem-se à noite nas casas dos vizinhos e parentes. Primeiramente rezavam o terço diante da imagem, e após, os homens reuniam-se em um ambiente para jogar, beber vinho e tratar de assuntos como negócios e a vida cotidiana.

As mulheres não envolviam-se nos assuntos dos homens, elas reuniam-se em outro ambiente, para falar sobre família, a lida doméstica, culinária e enquanto isso filavam com a palha de linho e os fios de lã de ovelha para fazer vestes. Faziam também a “dressa” (trança de palha) para confeccionar chapéus e “sporta” (bolsa onde se carregava diversos objetos). O encontro era regado de pinhão, batata doce, amendoim, pipoca, fregolá e claro, o bom vinho. Nesses encontros contavam os mais diversos causos e anedotas.

O filó era então o ato de enrolar fio enquanto se aproveitava a atividade para também realizar encontros e descontrair-se.

Surgiu assim a tradição do filó. Portanto o Grupo de Canto Italiano "Nostra Gente" resgata com o 1º Filó Italiano de Medianeira a cultura típica de nossa gente de fé, coragem e muita vontade voltada para o trabalho. O que antigamente uma cultura típica cotidiana, um estilo de vida corriqueiro, é hoje por nós resgatado como atividade artística, estilizado e adequado aos novos tempos. É uma amostra nos tempos atuais das velhas épocas que ficaram nas saudades.

Maiores informações com os integrantes do Grupo de Canto Italiano "Nostra Gente"

Colaboração: Secretaria da Cultura de Medianeira