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New Order faz show morno, sem empolgar plateia lotada

LÍGIA MESQUITA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando o New Order encerrou a emocionante apresentação de "Love Will Tear Us Apart", com o telão mostrando a mensagem "Forever Joy Division" (para sempre Joy Division), o guitarrista e vocalista sessentão Bernard Sumner avisou que normalmente o show acaba ali, mas como estavam em São Paulo, tocariam uma música a mais.

Talvez a concessão de uma canção extra ("Superheated") tenha sido porque a plateia que lotou o Espaço das Américas (os ingressos estavam esgotados) se manteve animada, mesmo com a performance pouco empolgante dos ingleses em seu único show no Brasil.

A qualidade musical do New Order continua elevada, mas um pouco mais de energia e presença de palco fariam diferença aos shows -o carisma do baixista Peter Hook, que deixou o grupo em 2007, não encontrou substituto.

Sumner pouco interagiu com o público. Ele ensaiou algumas dancinhas, jogou o microfone de uma mão para outra em "Blue Monday" e até se arriscou no teclado de Gillian Gilbert ao final da canção. Mas ficou por aí sua maior ousadia. Nas primeiras canções, o som do Espaço das Américas estava ruim e mal dava para escutar a voz do vocalista.

O setlist mesclou hits (além dos já citados, "Regret", segunda música da noite, talvez o momento mais catártico do público, "Bizarre Love Triangle", "True Faith", "Temptation") com faixas como "People on The High Line" e "Restless", do ótimo "Music Complete" (2015), primeiro álbum do New Order em uma década.

Não foi difícil fazer a plateia se sentir numa grande pista de dança em alguns momentos. Mas sem muita empolgação.