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Peça do FILO que retrata Jesus como transgênero gera reação de pastores

(foto: Ligia Jardim/Divulgação) - Peça do FILO que retrata Jesus transgênero gera reação de pastores
(foto: Ligia Jardim/Divulgação)

O Conselho de Pastores Evangélicos de Londrina e Região Metropolitana criticou publicamente a realização da peça “Jesus, rainha do Céu”, marcada para a noite deste sábado no anfiteatro do CCH da Universidade Estadual de Londrina (UEL) como parte da programação do Festival Internacional de Londrina (FILO).

“O Conselho não aceita que uma peça de teatro afronte a identidade da pessoa de Jesus Cristo, que é o principal pilar do Cristianismo e valor sagrado para a maior religião do mundo. A arte não precisa de justificativa, mas também não precisa afrontar valores sagrados”, diz o conselho em nota.

A peça estava marcada inicialmente para a capela da UEL, mas foi transferida para o anfiteatro do CCH por 'questões de segurança', segundo a universidade. 

Sobre o espetáculo

O espetáculo é uma mistura de monólogo e contação de histórias em um ritual que mostra Jesus no tempo presente, na pele de uma mulher transgênero. Histórias bíblicas são recontadas em uma perspectiva contemporânea, propondo uma reflexão sobre a opressão e a intolerância sofridas por pessoas trans* e minorias em geral na sociedade. “Contamos histórias como ‘O Bom Samaritano’, ‘A semente de mostarda’ e ‘A Mulher Adúltera’, como se se passassem na atualidade, para contextualizá-las com a vivência cotidiana de transexuais, como a atriz Renata Carvalho, de 33 anos, que vive Jesus no espetáculo”, destaca a diretora Natália Mallo.

“O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” estreou na Escócia em 2009, quando a autora sofreu críticas e ameaças de censura. Retornou em 2015 ao Fringe de Edimburgo, dentro da programação Made in Scotland, com grande repercussão de mídia e público. Neste ano, Jo Clifford recebeu também os prêmios Scottish Arts Club e LGBT Award, e a peça ganhou projeção internacional com turnês agendadas em diversos países.

A protagonista Renata Carvalho é atriz, professora e ativista santista com 20 anos de carreira no teatro. Sua interpretação oferece à montagem elementos de sua identidade política como travesti, ao mesmo tempo em que apresenta uma Jesus brasileira, ambígua e multifacetada.

“O que Jesus faria?”, pergunta que norteia desafios morais e dilemas éticos, ganha na peça novos sentidos em um trabalho que busca promover a construção de uma sociedade mais justa e tolerante.