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"Projeto Brasil" tem sessão extra neste sábado (5)

Espetáculo faz retrato do país. Temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado são temas discutidos no palco (Foto: Divulgação) - "Projeto Brasil" tem sessão extra neste sábado (5)
Espetáculo faz retrato do país. Temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado são temas discutidos no palco (Foto: Divulgação)

Encerra neste final de semana a temporada em Curitiba do novo espetáculo da companhia brasileira de teatro, "Projeto Brasil". As apresentações acontecem de quinta-feira até domingo, às 20 horas. No sábado haverá também uma sessão extra às 17h. 

Resultado de dois anos de pesquisas, intenso trabalho e viagens para as cinco regiões do país, a montagem traz um conjunto de performances criadas a partir da reflexão dos artistas sobre o país. "Projeto Brasil" tem direção de Marcio Abreu e conta no elenco com os atores Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan e o músico Felipe Storino.

Neste começo de ano, o espetáculo foi indicado na premiação da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro nas categorias melhor ator (para Rodrigo Bolzan) e melhor autoria (Soar, Abreu, Naira e Bolzan). O resultado sai em março. Já o Prêmio Questão de Crítica, realizado pela revista eletrônica de mesmo nome, e cujos vencedores serão divulgados em abril, indicou o espetáculo em oito categorias: espetáculo, direção, dramaturgia, ator (Bolzan), atriz (Soar), cenografia (Fernando Marés), direção de movimento (Marcia Rubin) e direção musical/trilha original (Felipe Storino). Com o trabalho anterior "Krum", a companhia brasileira de teatro acaba de vencer o Prêmio Cesgranrio de Teatro, no Rio de Janeiro, na categoria melhor espetáculo.

“O espetáculo traz um conjunto bem heterogêneo que inclui palavra, performance, música, teatro. É mais sensorial do que narrativo; convoca, implica, provoca”. 

Para o diretor Márcio Abreu os integrantes da companhia se deixaram afetar pelos encontros com outros criadores brasileiros e com o público teatral, pela vivência espontânea, pelos muitos materiais, pensamentos e ações produzidos nesse trajeto. O primeiro fruto disso tudo é o que vem ao palco. Não se trata, reitera Abreu, de um retrato documental, mas sim da reverberação artística da experiência.

 "Com o decorrer do trabalho, isto se concretizou: falar sem falar expressamente, tratar de outras coisas para tratar do Brasil. Esta outra dimensão de trabalho é um reflexo também da impossibilidade de falar sobre o país, num momento onde as coisas ainda estão acontecendo, numa velocidade muito grande".

A impossibilidade de dar conta de tudo por meio da palavra também refletiu no formato do espetáculo, com uma aproximação no rumo de outras formas de expressão como a performance.

A montagem

O preto sobre o preto está em cena, e num sobrepalco redondo se instala uma floresta de microfones – alguns são utilizados, outros não -, como se estivessem prontos para um pronunciamento. E a fala acontece, de fato, mas não da forma mais convencional. É neste cenário que são realizadas as cenas independentes que compõem o "Projeto Brasil". Há momentos de texto propriamente dito, inspirados em discursos reais, como a Ministra da Justiça da França Christiane Taubira ou o ex-presidente uruguaio Jose Mujica, bem como criações da própria companhia, além de cenas que buscam outras possibilidades de expressão.

São tratados temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado, ética, o caráter descartável de tudo na nossa sociedade, a ânsia por compreender e se comunicar. Outras questões remetem ao trabalho do grupo, como o papel do ator, do teatro e da arte. Os figurinos, também em preto, remetem a um “fim de festa”, como define Marcio.

Serviço

"Projeto Brasil", quinta-feira (3) a domingo. No sábado (5), sessão extra, às 17 horas. Classificação indicativa: 16 anos. Ingressos: R$ 20 e R$ 10. Funcionários da Petrobras com crachá e clientes Petrobras com cartão pagam meia entrada na compra de até 2 ingressos. Não serão aceitos cheques.