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'Taxi Driver' completa 40 anos de estreia no Brasil

Completam-se neste mês de março - exatamente nesta terça, 22 - 40 anos da estreia de Taxi Driver nos cinemas brasileiros. O filme havia estreado em fevereiro nos EUA e, em maio, no Festival de Cannes, ganharia a Palma de Ouro. O curioso é que, só depois, passariam filmes que Scorsese fez antes, como Esquinas Perigosas, de 1973. De sua obra precedente, apenas Sexy e Marginal/Boxcar Bertha, produzido por Roger Corman, de 1972, e Alice não Mora Mais Aqui, graças ao Oscar de melhor atriz atribuído a Ellen Burstyn, em 1974, haviam chegado a Brasil.

Pergunte e nove entre dez cinéfilos - onze entre dez? - e eles reconhecerão Taxi Driver por uma cena - Robert De Niro, como Travis, diante do espelho, repetindo a mesma frase (a mesma pergunta?), "Are you talkin' to me?", Está falando comigo? Mas há outra frase pela qual Travis poderia ser lembrado - "Um dia a chuva virá lavar toda essa ralé das ruas." Travis, um veterano do Vietnã, é motorista de táxi em Nova York. Sofre de insônia, trabalha à noite.

Travisa poder não ser rigorosamente o primeiro, mas é certamente emblemático como representação dos personagens à margem que atraem o autor. Seu problema é que ele se sente cada vez mais atraído pelas coisas - o mundo - que despreza. Tenta se redimir declarando-as à assessora de um candidato, Cybill Shepherd. Ela rechaça seus avanços. Planeja o assassinato do candidato, outro fracasso. Já no desespero, tenta salvar-se resgatando prostituta mirim. Alguns elementos - a narrativa em primeira pessoa, a trilha de jazz - remetem ao chamado cinema noir, mas o olhar de Scorsese, com base no roteiro de Paul Schrader, propõe outra coisa.

Eles colam o espectador na experiência de Travis e nos levam a compartilhar esse horror que é a alienação de um homem progressivamente perturbado.

De Niro já havia feito Mean Street/Esquinas Perigosas, mas Taxi Driver é considerada a primeira grande parceria dos dois - e o primeiro grande papel do ator. Táxi Driver foi indicado para os principais Oscars de 1976, mas perdeu todos. Os de filme e direção para Rocky, Um Lutador, de John G. Avildsen. O de ator, De Niro, para o Peter Finch de Rede de Intrigas/Network, de Sidney Lumet. O de atriz coadjuvante, Jodie Foster, a prostituta mirim, para Beatrice Straight, por Rede de Intrigas etc. Scorsese faria outros grandes filmes com De Niro (Touro Indomável, Os Bons Companheiros) ou sem (Depois de Horas), antes de chegar à discutível fase atual com Leonardo DiCaprio. A questão é se Taxi Driver é mesmo um grande filme. Travis torna-se herói, apesar dele mesmo. A tese de Scorsese - num mundo de cegos, carente de moral, quem tem um olho é rei. A mesma de O Lobo de Wall Street, de 2014, 38 anos depois.