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Dois homens são presos após invadirem programa de TV em protesto contra Lochte

(Foto: Rio 2016) - Dois homens são presos após protesto contra Lochte
(Foto: Rio 2016)

Dois homens foram presos na segunda-feira à noite, nos Estados Unidos, logo após interromperem o andamento do programa "Dancing with the Stars", da rede de TV ABC, onde possivelmente tentariam agredir o nadador norte-americano Ryan Lochte, que participava do reality show de dança ao lado da parceira Cheryl Burke.

O porta-voz da polícia de Los Angeles, Mike López, informou que os dois indivíduos ficaram detidos pelos seguranças do estúdio de TV onde foi gravado o programa até a chegada de agentes policiais, que fizeram a prisão. López inicialmente afirmou não saber o nome dos detidos, mas depois soube-se que se tratam de Sam Sododeh, de 48 anos, e Barzeen Soroudi, de 40, que seriam liberados da detenção mediante o pagamento de fiança.

O incidente não resultou em feridos e também não atingiu fisicamente Lochte, que viu de perto os seguranças deterem os invasores. Eles usavam camisetas que traziam o sobrenome do nadador estampada com um símbolo de proibido tachado sobre o mesmo, em um claro protesto contra a polêmica atitude do norte-americano durante os Jogos Olímpicos do Rio, onde inventou uma falsa versão de assalto a mão armada contra ele após se envolver em uma confusão em um posto de gasolina na capital carioca.

A invasão dos dois homens aconteceu enquanto Lochte e Cheryl Burke esperavam pela análise dos jurados para a dança que haviam acabado de fazer no programa. O problema motivou os produtores do programa a interromperem o mesmo e a chamarem os comerciais. Tom Bergeron, apresentador do "Dancing with the Stars", então qualificou a invasão como "um pequeno incidente" e agradeceu aos seguranças por deterem os invasores antes que algo pior pudesse acontecer.

A produção do programa expulsou também cinco mulheres que pareciam acompanhar os invasores em protesto contra Lochte, que fazia a sua estreia no programa "Dancing with the Stars" e lamentou a ocorrência do episódio. "Tantas sensações passam pela minha cabeça neste momento", disse o nadador, atônito, a Tom Bergeron. "Estou um pouco magoado, já que, você sabe, eu vim aqui para fazer algo que não me sentia completamente confortável e, de qualquer forma, vim com um grande sorriso", reforçou.

SÓ MAIS UMA POLÊMICA - A possível tentativa de agressão a Lochte foi só mais uma polêmica envolvendo o nadador e ocorreu um dia após o Comitê Olímpico Internacional (COI) ter anunciado que não iria aplicar punições adicionais ao atleta depois de o mesmo ter sido sancionado pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC, na sigla em inglês), que em conjunto com a USA Swimming, a confederação norte-americana de natação, suspendeu o astro por dez meses e retirou o bônus de US$ 100 mil que ele receberia pela conquista de sua medalha de ouro nos Jogos do Rio.

Por causa da punição, anunciada na semana passada, o astro ficará fora do Mundial de Esportes Aquáticos do próximo ano, em julho, pois a seletiva norte-americana para a competição ocorrerá um mês antes. Na última segunda-feira, o COI considerou "adequada" a punição a Lochte e também a Gunnar Bentz, Jack Conger e Jimmy Feigen, companheiros do nadador na equipe norte-americana que também se envolveram na confusão ocorrida na madrugada do dia 14 de agosto em um posto de gasolina no Rio, horas antes de Lochte apresentar falsa versão de assalto para a polícia.

O trio foi suspenso por quatro meses e, assim como Lochte, e todos concordaram com as punições. Elas, por sinal, impedirão os nadadores de receberem qualquer financiamento mensal e de poder acessar os centros de treinamento do USOC. Como se não bastasse isso, Lochte deverá realizar 20 horas de serviço comunitário e vai perder a visita da equipe olímpica dos Estados Unidos à Casa Branca, sede do governo norte-americano, em Washington.

O USOC dá um bônus de US$ 25 mil (R$ 80 mil) aos medalhistas de ouro olímpico, enquanto a USA Swimming premiou com US$ 75 mil (R$ 240 mil) cada campeão olímpico em Jogos anteriores. Mas esse dinheiro não é nada em comparação com o que Lochte perdeu no mês passado quando vários patrocinadores, incluindo a Speedo USA e a Ralph Lauren, deixaram de apoiar o nadador de 32 anos. As estimativas são de que ele teria perdido cerca de US$ 1 milhão (R$ 3,2 milhões).

No mês passado, a polícia do Rio acusou Lochte de apresentar uma falsa denúncia de roubo, mas o nadador evitou declarar se vai voltar ao Brasil para se defender.

O ouro de Lochte no revezamento 4x200 metros estilo livre foi uma das 121 medalhas que os Estados Unidos ganharam nos Jogos Olímpicos, mas suas ações no posto de gasolina e a falsa versão do incidente ofuscaram uma grande parte da segunda metade do evento. A comissão de ética do Comitê Olímpico Internacional também está avaliando o incidente.