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Novidade de O Ressurgimento é ver gays vencendo a guerra de 'Independence Day'

Havia palmeirenses revoltados - onde se viu ter de antecipar jogo para que o Allianz Park sedie o evento Independence Day? Mas é justamente isso que está ocorrendo nesta quinta, 23, às 19h (ingressos de R$ 90 a R$ 140). O estádio do Palestra Itália recebe o ator Bill Pullman, que fez o presidente dos EUA no primeiro filme, há 20 anos, e agora, na continuação, continua sendo um herói, como o público poderá confirmar em Independence Day - O Ressurgimento. O ator vai falar com a plateia no intervalo entre os dois filmes, que serão exibidos nesta quinta no Allianz Park. Em 1996, Pullman veio ao Brasil para promover o 1 e está de volta para divulgar o 2.

Quando fez o primeiro Independence Day, o alemão Roland Emmerich, nascido em Stuttgart, em 1955, já tinha no currículo fantasias científicas como Estação 44, Soldado Universal e Stargate. Depois, consolidou-se na posição de Sr. Desastre - hecatombes são com ele mesmo, em filmes como 2012, O Dia Depois de Amanhã e 10.000 a.C. Em O Ataque, mostrou um ataque terrorista à Casa Branca, que já havia destruído no primeiro Independence Day. Os críticos costumam bater duro em Emmerich, mas há que reconhecer que ele é duplamente um autor. O tema da relação pai/filho percorre sua obra, como a utopia que ele tenta sempre construir. Um mundo sem guerra, de paz e prosperidade, sob a bandeira dos EUA. A meta de Emmerich é deixar claro que ter vindo ao mundo na Alemanha foi um acidente de nascimento. Nenhum diretor nascido nos EUA é mais americano - de coração - que ele.

O curioso é que Emmerich faz esses filmes gigantescos em Hollywood, onde o cinema de ação é sempre uma celebração do macho. E ele é gay, assumido. A festa de lançamento de 2012 em Cancún foi uma celebração LGBT que os organizadores da Parada Gay de São Paulo sonhariam encenar na Av. Paulista. No ano passado, Emmerich fez Stonewall - Where Pride Began. Onde o orgulho começou. Saído do armário, Emmerich tem feito por avançar a diversidade. Seu cinema é grande, quanto aos meios. Tamanho é documento. Na saída da cabine de Independence Day - O Ressurgimento, um crítico dizia bem alto, para quem quisesse ouvir, que o filme era só mais do mesmo, mas maior. Como não é verdade, talvez se deva esquecer por um momento o grande e pensar no pequeno.

Roland Emmerich tem o maior desprezo por super-heróis. Já afirmou várias vezes detestar essa gente de capa que voa. Seus heróis são sempre improváveis. Nunca houve tantos pares gays num épico como O Ressurgimento. É deles que depende - ficcionalmente - a salvação da Terra. Um cientista que não dava a menor pinta no primeiro filme - o Dr. Okun de Brent Spiner, encarregado da investigação da área 51 - sai do coma, e do armário, na mesma hora. Acorda gay e com direito a um companheiro que rega as orquídeas em seu quarto de hospital e até tece uma manta para mantê-lo aquecido. Bem romântico. O brucutu africano - Dikembe - ganha um admirador no assessor americano que pega em armas só para ficar a seu lado. Dikembe tem de conter os arroubos do aspirante a namorado. E ah, sim, até os bravos pilotos, os rapazes destemidos que amam as garotas descoladas (e vice-versa), também ficam se declarando o tempo todo, mas, claro, são viris. Amor de macho. Liam Hemsworth sempre protegeu o amigo Charlie, é só isso.

Ambos podem trocar juras de amor eterno, mas tem cada qual sua garota para mostrar que são saudáveis. Jesse Usher, o filho (enteado) de Will Smith, é um devotado filho da mãe e desestrutura-se quando ela... Vejam o filme para saber o que ocorre. O importante é que esse grupo heterogêneo, compondo uma espécie de choque geracional - Ressurgimento, o título, aponta em sentido duplo para a nova geração -, está a postos e não surpreenderia se, daqui a mais 20 anos, num eventual terceiro Independence Day, surgisse um presidente gay. No atual, a presidente é uma mulher (Hillary para presidente?) que toma uma ou duas decisões equivocadas e paga por isso. Como os ETs são comandados por uma fêmea, antes que você acuse Emmerich de qualquer coisa vale atentar que ele cria duas mocinhas. A filha de Bill Pullman e a garota chinesa. A cena em que Travis Tope, o Charlie, vê a segunda sair do jato e sacudir a vasta cabeleira é um sonho de adolescente. Mas é como se diz - super-heróis (seus fãs?) são eternos adolescentes. Menos nos filmes de Christopher Nolan e Zack Snyder, os grandes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.