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Quando o crochê vira linguagem

(Foto: Caroline Muller / Divulgação Coletivo Mãos Urbanas) - Quando o crochê vira linguagem
(Foto: Caroline Muller / Divulgação Coletivo Mãos Urbanas)

"Somos um coletivo que tem como objetivo embelezar a cidade fazendo intervenções através da técnica do crochê.”

É dessa forma que as 11 mulheres que integram o projeto Coletivo Mãos Urbanas se designam e nominam o trabalho com as agulhas que vêm desenvolvendo desde dezembro, do ano passado. É o yarn bombing (bombardeio de fios), técnica conhecida por vestir lugares públicos de crochê ou tricô. Para elas, é o sonho sendo concretizado em aliar uma prática quase que diária - de muitas delas - com a disseminação da beleza e cor pela cidade, sem contar a discussão do espaço urbano.

“Inicialmente, achei que era uma ideia irrealizável porque dependia de um esforço muito grande”, conta Valéria Tessari, doutoranda do programa em Design na UFPR, e uma das organizadoras do 6ª Seminário Moda Documenta e o 3ª Congresso Internacional de Memória, Design e Moda, a ser realizado em maio. No entanto, a produção de quadrados, círculos e losangos tecidos manualmente em crochê mostram que era apenas um receio. A meta de tecer 40 metros quadrados de peças artesanais para “vestir” 12 prédios públicos de Curitiba, durante o Moda Documenta está quase cumprida.

“Para umas intervenções já temos 70% pronto”. Entre elas, estão uma das colunas frontais do prédio central da UFPR, na Praça Santos Andrades, a pedra escultural em frente ao Memorial de Curitiba, no bairro São Francisco, uma das árvores que enfeitam a entrada do Museu Alfredo Andersen, no Centro, e outros. O evento vai acontecer entre os dias 12 e 14 de maio de 2016.

(Foto: Divulgação / Coletivo Mãos Urbanas)

As redes sociais ajudaram a marigaense ter um nova certeza. Sim, o sonho podia ser partilhado. Os primeiros encontros foram marcados; e os ajustes feitos até chegarem ao grupo de 11 mulheres. São alunas, pós-graduandas de Desing, artesãs - inclusive duas são de São Paulo - e senhoras aposentadas e “extremamente ativas e empolgadas”. Ela lembra que é uma ajuda mútua. “Algumas sabem muito; outras, pouco. Os encontros ajudam a treinar, a criar novos padrões e a se divertir”. E a troca de fotos é constante na página do grupo.

Valéria conta que aprendeu com a mãe. “Fazia ‘bobeirinhas’ que não dava para ficar expondo”, ri. Mas o treino com a mão e o incentivo à criatividade, vão além. “Você cria uma intimidade com os materiais, mais não me considero uma crocheteira”.

O próximo passo foi conseguir um patrocínio. E veio em forma de doação de fio acrílico, multicolorido, pela empresa Linhas Círculo, de SC.

(Foto: Divulgação / Coletivo Mãos Urbanas)

Foram 200 novelos, somados ao desejo intenso de fabricar as peças que irão “vestir” a cidade. Os locais que irão receber as intervenções serão os mesmos que receberão os eventos do Moda Documenta, lembra Valéria.

Só que o grupo não quer parar por aqui.  Já sonha com os próximos trabalhos coletivos. Uma ideia é que nos projetos futuros sejam utilizadas diversas técnicas feitas com agulha, incluindo costura, além de outras como amarrações e colagens com tecidos e fios.

“O importante é o efeito e o que vai representar para a cidade e seus moradores”.