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'4 Faces do Amor, o Musical' tem canções de Ivan Lins

(Foto: Divulgação)  - '4 Faces do Amor, o Musical' tem canções de Ivan Lins
(Foto: Divulgação)

Duda é um apelido que serve tanto para Eduardo como para Eduarda - assim como Cacau pode ser usado para Cláudio ou Cláudia. A partir desse curioso e estimulante jogo de gêneros, o dramaturgo e produtor Eduardo Bakr escreveu o texto de um dos mais originais musicais brasileiros - 4 Faces do Amor apresenta, à primeira vista, apenas a história da relação entre Cacau e Duda. Mas, graças à mudança de papéis permitida pelos apelidos, em alguns momentos o espectador acompanha o desenrolar de uma relação heterossexual; em outras, Cacau e Duda são duas mulheres ou dois homens. Mas, no fundo, o palco mostra, de fato, a relação entre duas pessoas.

Em cartaz a partir desta sexta, 20, no Teatro Nair Bello, no shopping Frei Caneca, 4 Faces do Amor conta com diversos trunfos, além da engenhosa dramaturgia - Bakr selecionou uma série de canções compostas por Ivan Lins para formar o musical. "O amor é um assunto pertinente em qualquer relação e, ao buscar um autor que traduzisse bem esse sentimento, descobri a delicadeza que marca a obra de Ivan", conta Bakr. "Assim, fiz uma pesquisa detalhada sobre seu trabalho e comecei a escrever o texto. Depois que terminei, fatiei esse texto para incluir as canções."

O trabalho foi cuidadoso e Bakr não se preocupou em incluir standards apenas porque são clássicas - assim, não será possível encontrar, por exemplo, Madalena, porque não se encaixava na trama. Mas, é possível (re)descobrir a exuberância da carreira de Ivan Lins em canções como Pontos Cardeais, Acaso, O Tempo Me Guardou Você, Velas Içadas, Doce Presença, Por Toda Minha Vida, Bilhete, Choro das Águas, Começar de Novo e O Amor é Meu País, entre outras.

"As letras das músicas se encaixam na história como se fossem falas dos personagens", observa André Dias, que interpreta Duda. O elenco, aliás, é outro grande trunfo do espetáculo ao reunir um verdadeiro Quarteto Fantástico do teatro musical brasileiro: além de Dias, estão também Sabrina Korgut (que faz Duda), Amanda Acosta e Jarbas Homem de Mello, ambos interpretando Cacau.

"Uma condição essencial para o sucesso dessa montagem é a qualidade do elenco, que não apenas canta maravilhosamente bem como também é talentoso ao interpretar", observa Tadeu Aguiar, que volta a dirigir o texto que marcou sua estreia como diretor em 2011, em uma montagem com outros atores. Daquela experiência, ele guardou preciosos ensinamentos. "Eu era muito preocupado com o posicionamento dos atores. Nesta versão, limpei 60% da marcação."

O resultado é uma coreografia fora dos padrões. "Para apresentar as quatro faces do amor, nós temos movimentos sutis, que transformam totalmente a ação", comenta Homem de Mello. De fato, a troca de papéis acontece graças a importantes detalhes - os quatro atores estão em cena, como se a relação de dois casais fosse mostrada simultaneamente. Mas, de repente, o que era uma relação heterossexual se transforma em outra homo, graças a uma simples mudança de corpo, ou mesmo a um virar de cabeça. Isso já é notado na cena que abre o espetáculo, no heliporto de um prédio.

"O texto do Eduardo é engenhoso e essa originalidade ganha vida com a direção do Tadeu", observa Amanda. "E o mais interessante é que a história apresentada é a de apenas um casal em suas distintas formações", acrescenta. "E a riqueza harmônica das canções é suficiente para a narrativa", completa Sabrina Korgut.

Para que as canções de Ivan Lins não fossem apresentadas como em um show, a diretora musical Liliane Secco conseguiu transformá-las em dramaturgia sonora. "O trabalho do Ivan já é teatral por natureza, o que ajudou no trabalho", disse ela que, para manter o tom intimista, manteve apenas três músicos em cena (piano, violino e violoncelo).

E, para comprovar a força dramática das letras, Eduardo Bakr decidiu que algumas canções seriam ditas e não cantadas. O resultado contribui para criar uma relação mais próxima com a plateia. "Minha primeira surpresa foi identificar, em alguns momentos da peça, situações triviais, que eu também vivi", diverte-se Amanda Acosta.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.