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BadBadNotGood desconcerta o hip-hop

Em um encontro entre estudantes do Humber College, um colegial politécnico de prestígio no estudo do jazz em Toronto, no Canadá, costuma resultar em um jam entre eles. Assim que eles trocam experiências, experimentam vertentes, expõem influências. Em uma dessas festas, há seis anos, Matthew Tavares (teclado), Chester Hansen (baixo) e Alexander Sowinski (bateria) se encontraram. Perceberam ali, ao tocar, que mesmo que improvisassem dentro da escola do jazz, havia tons de um hip-hop experimental em cada um deles. Deixaram de lado, bateram longos papos, e descobriram o gosto em comum por artistas do hip-hop como o veterano MF Doom e os novatos do coletivo Odd Future Wolf Gang Kill Them All (ou simplesmente Odd Future para os mais chegados).

Educados no jazz, eles formaram o BadBadNotGood com o intuito de desconcertar o gênero que os uniu. Faz todo sentido, justamente por isso, a inclusão do hoje quarteto - o saxofonista Leland Whitty entrou em 2012 e trouxe mais sabor melódico ao grupo, como é possível conferir na deliciosa Confessions - nesta que é a sexta edição do Nublu Jazz Festival realizada em São Paulo, novamente no Sesc Pompeia, a partir desta quinta-feira, dia 17.

A programação completa, que inclui shows de outros artistas que transpiram vanguarda em seus gêneros, como a dupla de dub e reggae Sly & Robbie e o baterista Marcus Gilmore, pode ser vista no quadro ao lado.

O Nublu também ocorre no Sesc São José dos Campos, nas mesmas datas. Uma atenção especial ao projeto Praia Futuro, formado por Ilhan Ersahim, músico, produtor e criador do próprio Nublu, ao lado de Dengue (Nação Zumbi), Fernando Catatau e Yuri Kalil (ambos do Cidadão Instigado), nesta quinta, no Sesc São José dos Campos, e sábado, 19, no Pompeia.

Prestes a vir pela primeira vez ao Brasil, Hansen, baixista do BBNG, empolgou-se ao saber do Projetonave, banda que acompanha o hip-hop nacional há pelo menos 19 anos, ao lado de MCs ou fluindo livremente por um free jazz inspirado por beats firmes. Coincidentemente, o BBNG cresceu acompanhando MCs, como os ótimos Frank Ocean e Ghostface Killah (do Wu-Tang Clan). "Queremos experimentar ainda mais", diz ele. "Prometo algumas surpresas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.