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Cleber Almeida além da própria bateria

(Foto: Reprodução) - Cleber Almeida além da própria bateria
(Foto: Reprodução)

A música do baterista Cleber Almeida não nasce das baquetas. Quando a inspiração chega, ele a coloca na boca, canta a melodia e corre para o violão. Começa então um trabalho de carpintaria em que o objeto principal, sua melodia, vai ganhando forma aos poucos. O fato de tocar um instrumento rítmico não impede Cleber de lançar um belo disco autoral em que assina todos os temas instrumentais e seus respectivos arranjos.

Cleber tem largo conhecimento no que faz. Já atuou nas frentes do comandante Hermeto Pascoal, já tocou com Proveta na Banda Mantiqueira e integra, há 20 anos, o fabuloso Trio Curupira. Vive em um sítio no interior de São Paulo, coleciona discos e transmite uma paz valiosa no trato pessoal. Se os músicos tocam aquilo que são, esta pode ser também a descrição do espírito de sua criação.

O disco abre com Samba da Peleja, um tema de se cantar, dançar, ou simplesmente ouvir. Cleber não tem arroubos de estrelismos, o que poderia acontecer sendo esse o seu projeto batizado justamente Música de Baterista. Ele está ao lado dos músicos Fábio Leal (guitarra e violão), Beto Corrêa (piano e acordeom), Felipe Brisola (baixo acústico), Cesar Roverso (sax) e Diego Garbin (trompete e fluguelhorn).

O jovem trombonista Alan Palma fez no disco suas últimas gravações. Logo depois do lançamento, ele morreu ao ser atropelado quando estava andando de bicicleta em uma avenida.

Cleber faz jazz brasileiro ou música instrumental brasileira? "A gente nem pensa nisso quando compõe", diz. Mas o resultado mostra que ele caminha sobre os dois. Vira jazz em kits de improviso, como o que usa em Crocheteira, e Brasil quase o tempo todo, como no maracatu que aparece na caixa de Vê se te Cuida.

Depois de seguir no disco com temas quentes e claros, como Tia Bela; Livre; Vó Landa, Vó Cema (esse, inspiradíssimo em memórias afetivas); Linha Nigra; Albertinho de Fole Novo (um forró irresistivelmente rasgado) e Subjetiva, ele termina com uma homenagem ao saxofonista Vinicius Dorin, morto no ano passado. Cleber é um craque que transborda ao seu próprio instrumento.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.