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Projeto social oferece aulas de educação musical gratuitas para mais de 100 crianças e adolescentes em Maringá

“Sempre tive muita vontade de tocar viola caipira, mas as aulas em escolas de música são muito caras, cerca de R$ 400. Quando descobri que eu poderia aprender de graça, fiquei muito feliz”, contou Hugo Men, de 11 anos. Ele é um dos 110 alunos que fazem parte do projeto social de educação musical do Sesc de Maringá. Com apenas dois meses de aula, Hugo e seus amigos improvisaram uma pequena apresentação para nossa reportagem. Tocaram a música Ode Alegria, lendo corretamente a partitura.

Esse grupo dedicado de crianças e adolescentes teve acesso às aulas por meio do Programa de Comprometimento de Gratuidade (PCG) da Fecomércio no Paraná. Para participar, as famílias devem ter renda de até três salários mínimos e os alunos estarem matriculados em escolas públicas ou serem bolsistas integrais em uma escola privada. As aulas também atendem filhos de comerciários, com o mesmo critério de ganho salarial. Este é apenas um dos projetos da instituição que atende crianças e adolescentes em todo o estado.

E foi justamente nesse programa que o futuro músico Hugo Men se encaixou. O menino ainda está admirado com a oportunidade que recebeu. “Pedi aos meus pais para fazer aula, mas eles disseram que no momento não poderiam pagar. Depois de uma semana que eu tinha ligado para as escolas de música e perguntado sobre os preços, o pessoal do Sesc foi na minha escola para falar do projeto. Quase não acreditei, tive muita sorte”, comemorou o garoto. “O mais legal é que aqui temos tudo o que precisamos, o instrumento e o material”.

Projeto social oferece aulas de educação musical gratuitas

É isso mesmo. Os alunos estudam duas vezes por semana, no período de contraturno escolar e as famílias não precisam pagar. Instrumentos que chegam a custar até R$ 10 mil são disponibilizados aos alunos durante todo o curso. “Essa é uma oportunidade muito rara. Não sei se meus pais teriam condições de pagar essas aulas”, disse Anna Beatriz Moreira Stevanato, de 13 anos.

Ela e uma amiga ouviram falar do Sesc na escola e logo conversaram em casa, pedindo autorização para estudar música. “Sempre quis aprender violão. Assistia vídeos da Demi Lovato e ficava encantada. Quero tocar na igreja e seguir carreira musical”, afirma Julia Eduarda Esposito, de 12 anos.

A adolescente já chegou ao Sesc decidida sobre o que gostaria de aprender, mas antes de começar as aulas específicas, conheceu alguns instrumentos que antes só ouvia falar. No programa, os alunos têm acesso aos cursos de violino, viola de arco, violão, viola caipira, violoncelo, flauta transversal, saxofone, trompete, trombone e percussão. Tudo complementado com aulas de canto coral. De acordo com o técnico de atividades musicais do programa, Erico Bondezan, nas primeiras semanas os alunos têm contato com os dez instrumentos. Passam por todas as aulas para que as aptidões sejam identificadas e só então iniciam o curso definitivo. Eles participam do programa por dois anos e têm opção de receber um aprendizado avançado por mais 24 meses.

Todo esse processo requer muita atenção e horas de estudo, mas com algumas semanas de aulas, os integrantes já começam a se familiarizar com os instrumentos. “Foi um pouco difícil aprender a ler partitura, mas aos poucos fui conseguindo”, relata Emily Seabra, de 12 anos. Confessa que aprender violino sempre foi o sonho dela. “Desde pequena queria tocar, mas nunca imaginei que poderia aprender tão rápido”, enfatizou. Para começar as aulas, Emilly teve a ajuda de um amigo do pai que falou sobre o projeto. “Acho que se não fosse dessa forma, não teria como aprender violino.”

Nova rotina

A novidade não está só nas notas musicais, partituras e esforço para manusear os instrumentos. Com as aulas de iniciação musical, surge uma nova rotina na vida dos pequenos. Crianças que ficavam em casa sem muito o que fazer enquanto não estavam na escola, agora têm um cotidiano mais exigente. Hugo, o menino que sonhava em tocar viola caipira, diz que precisa fazer as tarefas assim que chega da escola, nos dias que antecedem as atividades do projeto. “Antes eu ficava assistindo televisão e estudava um pouco. Agora preciso dormir bem mais cedo para chegar aqui às 8h. Foi difícil me acostumar, mas é muito mais legal ficar no Sesc”.

Os estudantes que estão na escola à tarde participam do projeto das 8h às 12h. No começo da manhã, eles fazem aulas teóricas e de instrumentos musicais. Depois de um intervalo, das 10h30 até o final da manhã, integram o grupo de coral. “As aulas de canto são importantes porque ajudam na questão de afinação e aprimoramento musical. É um complemento para o aprendizado do instrumento”, diz a professora e pianista, Alany Steiner. No período da tarde, o sistema funciona da mesma forma. São cinco horas no projeto, com um intervalo para o lanche.

Ensino de qualidade

“Os alunos chegam aqui conhecendo os instrumentos mais populares como o violão, mas quando entram em contato com o saxofone e a flauta transversal, por exemplo, ampliam a visão musical”, explica a pianista que auxilia os alunos nas aulas de canto.

O regente do coral, Dhemy de Brito está no Sesc há três anos e diz que é gratificante perceber a evolução dos pequenos. “Não conheço outro lugar na cidade que ofereça essa oportunidade gratuita de educação musical. Aqui os alunos desenvolvem um conhecimento pessoal, estão em contato com outros músicos e diferentes modalidades musicais”. Para dar aulas no projeto, os professores devem ter a graduação em música ou em outra área com especialização em música, além da prática comprovada do instrumento.

E a garotada, que não estava acostumada com claves de sol e fá e ainda os desenhos das notas musicais, aprova o método de ensino. “Meu professor é muito legal”, diz Miguel Lima, de 10 anos, quando indagado sobre o que mais gosta nas aulas. “Sempre sonhei em tocar violino. Na verdade esse era um sonho meu e da minha mãe, mas não imaginávamos que eu poderia fazer aulas de graça.” Miguel ficou sabendo do projeto na escola e sonha ainda mais alto. “Quero tocar em óperas. Quando toco violino, me sinto realizado”.

Bons resultados

Realizada! É assim que está se sentindo a aluna de violoncelo Giullia Proença Felix, de 15 anos. Com apenas dois meses de aula, já foi selecionada para tocar na orquestra do Centro Universitário Cesumar (Unicesumar) em Maringá. A mãe dela, Andrea Proença, conta que a filha era bastante tímida antes das oficinas e agora ‘se encontrou’. Fez novos amigos e está mais alegre. “Estamos muito felizes porque ela teve a oportunidade de participar deste projeto. Os dias dela agora estão muito corridos, com ensaios da orquestra, escola e aulas no Sesc, mas o importante é que ela está feliz”.

Outra mãe que está satisfeita com os resultados do projeto é a Fátima Castilho Milagres de Souza, mãe do Pedro Henrique Milagres de Souza, aluno de percussão. “Ele era muito fechado, não conversava muito. Agora está bem melhor e gosta muito das aulas. Pensa até em seguir carreira musical”.

Vagas disponíveis

  • Violino - 16
  • Viola de Arco - 12
  • Violão - 12
  • Viola Caipira - 12
  • Violoncelo - 8
  • Flauta transversal - 8
  • Saxofones - 10
  • Trompete - 6
  • Trombone - 6
  • Percussão - 20

Por Talita Amaral