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Tuca Andrada faz louvor ao Cantor das Multidões

(Foto: Divulgação) - Tuca Andrada faz louvor ao Cantor das Multidões
(Foto: Divulgação)

Orlando Silva, um dos maiores intérpretes da música popular brasileira, conhecido como o cantor das multidões, morreu em 1978, quando estava com 62 anos. Quase quatro décadas depois, sua voz cristalina de tenor ainda arranca suspiros de fãs, encantados com aquele artista que viajava dos graves aos agudos com incrível facilidade. É justamente a esses admiradores e também àqueles ainda dispostos a descobrir um tesouro da canção nacional que se dedica Orlando Silva - Nada Além, show que o ator e intérprete Tuca Andrada apresenta apenas de sexta, 17, a domingo, 19, no Teatro J. Safra.

Não é a primeira vez que Tuca trafega no universo do cantor - em 2004, ele protagonizou o musical Orlando Silva - O Cantor das Multidões, que ficou em cartaz durante três anos, viajando por mais de 40 cidades e sendo visto por mais de 300 mil pessoas. "O sucesso comprovou que ainda é grande a admiração por Orlando e, como não podíamos retomar o musical - apesar dos insistentes pedidos -, criamos um show para voltar ao universo do cantor", lembra Tuca.

Assim, sem contar com um elenco, mas ao lado de cinco músicos convidados, Tuca apresenta 20 canções que marcaram a carreira de Orlando Silva, clássicos como A Jardineira (Benedito Lacerda e Humberto Porto), Carinhoso (João de Barro e Pixinguinha), Rosa (Otavio de Souza e Pixinguinha) e, claro, Nada Além (Custódio Mesquita e Mario Lago), entre outros. "E aproveito para também matar a vontade de cantar algumas canções que não conseguia no musical, pois eram interpretadas por outros personagens", observa ele, apontando Súplica (Deo, Jose Marcilio e Otavio Gabus Mendes) e Errei Erramos (Ataulfo Alves) como exemplos.

As canções criadas pelo grande Ataulfo, aliás, foram as primeiras ouvidas por Tuca quando menino, em Pernambuco, onde nasceu. Composições escutadas pelo rádio, forma idêntica, aliás, à que moldou a educação musical de Orlando Silva. Nascido no Rio de Janeiro, em 1915, era filho de um violonista que participou de serenatas e feijoadas ao lado de Pixinguinha. O pequeno Orlando viveu durante três anos nesse ambiente, até o pai ser uma das inúmeras vítimas da gripe espanhola.

Adolescente, Orlando trabalhou como sapateiro, vendedor de tecidos e cobrador de ônibus, funções que exercia ao mesmo tempo em que admirava os grandes cantores da época, Carlos Galhardo e Francisco Alves - este último se tornaria, no futuro, um dos responsáveis por seu sucesso.

Quando trabalhava como office-boy, Orlando passou por um trágico momento que marcaria sua vida: ao saltar de um bonde para entregar uma encomenda, sofreu um acidente e parte de um dos pés foi amputada, obrigando-o a ficar inativo durante um ano. "Apesar do problema financeiro (ele sustentava a família), esse período parado serviu para Orlando se preparar como cantor", observa Tuca. "Afinal, ele escutava rádio o dia todo e, com isso, além de apurar musicalmente o ouvido, conseguia detectar detalhes favoráveis de outros cantores que podiam lhe ajudar."

Ao encenar o musical que narrou a trajetória do grande cantor, Tuca Andrada sabia que estendia o tapete não apenas para um artista que marcou a história brasileira - "Sua história pessoal é tão marcada por eventos espetaculares que bastou selecionar os mais incríveis", conta o ator, lembrando que Orlando era um sujeito pobre, feio, tímido, manco, que se envolveu com drogas no auge da carreira e ainda precisou extrair todos os dentes da boca. Mesmo assim, terminou a vida vitorioso.

"Talvez, após 100 anos de seu nascimento, estejamos mais próximos do que seria uma apresentação de Orlando Silva", comenta o diretor musical Marcelo Alonso Neves. "Por outro lado, poderemos ver mais o Tuca cantor, sem a necessidade de caracterização. Também as músicas, respeitando suas características intrínsecas, aparecem com roupagens mais despojadas."

O espetáculo começa com uma surpresa: ao entrar no teatro, o público será recebido com Tuca cantando as grandes marchinhas de Orlando Silva. "Normalmente, essas canções mais alegres ficam para o final. Decidimos fazer o contrário e iniciar o show em alto astral", explica o cantor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.