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Na série 'Demolidor', Matt Murdock se questiona quem é e do que é capaz

Onipresente no cinema, a Marvel tinha dado um passo meio incerto na televisão com a irregular Agents of S.H.I.E.L.D. Foi aí que estreou Demolidor, produzida em parceria com a Netflix: suja, violenta, com boas lutas, personagens complexos e uma estrutura ousada, própria para o "binge watching" - o vilão Wilson Fisk (Vincent DOnofrio) só aparecia no terceiro episódio. Foi um estouro. Tanto que a segunda temporada foi colocada em produção rapidamente, indo ao ar menos de um ano depois, nesta sexta-feira, 18.

No primeiro ano, Matt Murdock (Charlie Cox), o advogado cego que se torna um justiceiro decidia ser um herói. No segundo, ele precisa aprender como é ser um e lidar com as consequências. Para tornar sua tarefa ainda mais complexa, entram em cena duas novas caras: Frank Castle (Jon Bernthal, o Shane de The Walking Dead), também conhecido como Justiceiro, e Elektra Natchios (a francesa Élodie Yung), sua ex-namorada da época da faculdade.

"O surgimento de Frank Castle apresenta um dilema moral para Matt", disse Cox em entrevista ao Estado, em Los Angeles. "Ele começa a sofrer um colapso de identidade. Matt percebe como as pessoas veem aquele homem e enxerga as semelhanças entre Frank e ele, o que causa um conflito emocional imenso, forçando-o a questionar quem é, do que é capaz e se tem direito de ser um justiceiro." Bernthal não enxerga seu personagem, que vê a justiça em preto ou branco, como vilão. "É um personagem com passado rico. O que mais gostei é que me deixaram ir com tudo, não precisei ficar explicando por que estou fazendo essa coisa má. Me permitiram fazer, e depois o público vai descobrir."

Com Elektra, as coisas são mais cinzentas. Matt Murdock, que tem um bom detector de mentiras, fica confuso. "Ela é misteriosa. Retorna à vida de Matt do nada", disse Élodie, que fez alguns filmes como Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011). E também o coloca contra a parede, questionando suas motivações. Faixa-preta em karatê, a atriz não teve tanta dificuldade com as cenas de luta. "Mas ela é bem melhor que eu. Estou um pouco enferrujada", contou ela. "Precisei voltar à forma e aprender coisas novas, como capoeira e muay thai. Elektra é uma assassina, o uso que faz das artes marciais é outro."

Jon Bernthal garante que há cenas tão boas quanto a já famosa luta no corredor, no segundo episódio da primeira temporada. "Ao introduzir personagens como Frank Castle e Electra, o nível se eleva em termos de lutas. Mas elas são adequadas a cada personagem." Para Cox, cada golpe ou soco é escrito como se fosse uma linha de diálogo. "Aquela sequência do corredor foi boa porque estava incluída na história, e espero que tenhamos aprendido que as lutas só importam realmente quando o espectador está emocionalmente envolvido."

Fiéis escudeiros de Matt Murdock, seu sócio Foggy (Elden Henson) e a secretária Karen Page (Deborah Ann Woll) estão mais engajados do que nunca na busca por justiça nos termos da lei. Mas sobra um tempo para um possível romance. "Vemos outro tipo de vulnerabilidade em Matt, ele é capaz de olhar para Karen e enxergar uma possibilidade, algo a que sempre resistiu", disse Cox. "É legal interpretar um super-herói que funciona de maneira muito humana, que tem muitas fraquezas por causa de sua ligação com outras pessoas."