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Thaisa Tavares admite 'tirar o pé' para dar vaga a irmão no hipismo do Rio-2016

(Foto: Divulgação)  - Thaisa Tavares admite 'tirar o pé' para dar vaga a irmão no hipismo do
(Foto: Divulgação)

Thaisa Tavares de Almeida, de 27 anos, pode contar nos dedos de uma só mão o número de provas de hipismo que participou nesta década. Ainda assim, com menos de um ano de treino, já tem o terceiro melhor índice entre os oito brasileiros qualificados para os Jogos Olímpicos do Rio no adestramento. Faltando três semanas para a convocação de quatro conjuntos titulares e um reserva, ela cogita seriamente "tirar o pé" nas seletivas finais se a vaga estiver em disputa com um de seus irmãos.

Luiza Tavares de Almeida, de 24 anos, e os gêmeos Manuel e Pedro Tavares de Almeida, de 22, também estão disputando a vaga. Mas, com a ascensão da primogênita, um deles pode ficar fora da Olimpíada. Pela felicidade dos irmãos, Thaisa, que há um ano era bancária, abriria mão de um sonho que, de tão grande, a afastou do esporte por seis anos.

Ela tinha apenas 17 anos quando, em 2007, deixou o conforto da casa dos pais para, junto com a irmã Luiza, então com 15, passar por uma temporada de treinos intensivos na Alemanha. "Foi um choque, uma coisa bem puxada para a gente. Foi muito aprendizado, mas foi difícil", lembrou. Naquela época, valia tudo pelo sonho de estar nos Jogos de Pequim, em 2008. Luiza se classificou, Thaisa não. Foi à China como reserva.

"É difícil entender por que não dá certo quando não depende só de você, quando tem o cavalo. Foi por muito pouco que eu não consegui. Essa primeira tentativa de um esforço tão grande, sem resultado, deu uma baqueada", disse.

Naquela época, as duas não eram rivais. Poderiam ter sido companheiras na China. Agora, a situação mudou. São oito brasileiros qualificados - a partir do mesmo critério -, mas só há quatro vagas. "Quando você sabe que está competindo, você quer estar melhor. A gente quer que vá o melhor", garantiu Pedro.

Para Thaisa é diferente. Atingir o próprio limite pode significar empurrar para fora da equipe um irmão que, diferentemente dela, passou os últimos anos acordando e indo dormir com o sonho de estar nos Jogos do Rio. "Essa chance me assusta. Não gostaria de tirar nenhum deles, mas isso foge do nosso controle", disse, inicialmente, para, após um silêncio, completar: ""É uma loucura isso daqui. A gente pensa em cenário A, cenário B. Tem a saúde dos cavalos, outros fatores, mas faria sim isso. Se eles não forem tão bem nas últimas provas, meu plano seria tirar o pé".

A convocação será feita pela técnica belga Mariette Withages, que, entre diversas variáveis, vai analisar não só a média de resultados, mas também o momento de cada conjunto e a experiência do competidor. Presente nos Jogos de Londres, em 2012, Luiza sai na frente nessa corrida entre irmãos. "Acho que não tem como negar que a experiência é algo que conta muito, não só no adestramento", apostou.

A Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) estabeleceu 69% como índice desejado para os ginetes brasileiros. João Victor Marcari Oliva, aquele menino que Hortência carregava no colo durante os Jogos de Atlanta, há 20 anos, vem de boa temporada em 2015, com medalha nos Jogos Pan-Americanos. João Victor tem a melhor média de resultados em Grand Prix e também tem vantagem na corrida olímpica. Na semana passada, na Holanda, fez 68,08%.

E João Victor é quase da família. "Nós somos muito, muito próximos", contou Pedro. "O pai dele (José Victor) e o meu (Manuel Filho) são melhores amigos. A gente cresceu com o João, estava sempre na fazenda um do outro". Manuel Filho, o pai do quarteto, é criador de cavalos lusitanos e foi o maior incentivador da volta de Thaisa às competições.

Até 18 de julho, data da convocação, todos ainda competem. Um olho estará nos resultados de João Victor. O outro, na calculadora. Todos precisam superar Giovanna Pass, de apenas 18 anos, surpresa nas três avaliações feitas em São Paulo por juízes internacionais. Ela tem boa média de 66,6%, mas não volta a competir. Pesa contra ela a inexperiência internacional e o fato de os resultados terem sido obtidos em eventos sem a presença de atletas melhores que ela, o que influencia os juízes.