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Atlético-PR lança manifesto pelo fim das torcidas organizadas no futebol

(Foto: Divulgação/Os Fanáticos) - Atlético-PR lança manifesto pelo fim das torcidas organizadas
(Foto: Divulgação/Os Fanáticos)

O Atlético-PR divulgou uma nota na tarde desta quinta-feira (23), manifestando o interesse de acabar com as torcidas organizadas dos clubes de futebol. Durante o texto, o clube cita uma falsa dependência e afirma que uma atitude precisa ser tomada.

A nota começa afirmando que as torcidas organizadas foram concebidas para torcer pacificamente e manifestar a paixão pelo time do coração apenas nos estádios de futebol. “E hoje, o que temos?! Temos torcidas que utilizam o pretexto de torcida para criar tumultos, pânico, violência e incitar o ódio entre semelhantes através de seus cânticos. O Clube é apenas um subterfúgio para justificar licitamente sua existência”, afirma.

O Furacão ainda afirma que atualmente, as torcidas organizadas são verdadeiras concorrentes com o clube no mercado. “Elas existem para explorar economicamente símbolos, imagens e tradição do clube. Para essas torcidas, o mais importante é hastear faixas e bandeiras próprias e vestir suas camisas, com a única finalidade de expor a sua marca. Vestir a camisa do CAP, não satisfaz.”

Na sequência, o clube cita o episódio em que proibiu a entrada de qualquer adereço das organizadas no estádio atleticano, relatando a exceção na liberação da utilização das baterias da torcida “Os Fanáticos”. “Não foi o suficiente. Hoje a torcida mantém “protesto”, agora pela liberação das tão importantes faixas, camisas e bandeiras próprias”, relatou o clube.

A nota, então, utiliza um levantamento realizado recentemente pela ESPN, que coloca o Atlético-PR na primeira colocação dos clubes punidos por mau comportamento desde 2011, para argumentar o fim das torcidas organizadas. O texto cita ainda episódios recentes de violência em jogos do Furacão, como a briga entre torcedores organizados do Atletico-PR e do Vasco, no final de 2013, que rendeu a perda de nove mandos de campo e multas milionárias para o time da baixada.

O clube ainda pontuou o que chamou de “aberrações” criadas em decorrência da violência relacionada ao futebol. “Como explicar a escolta policial das torcidas para que caminhem por lados opostos? Existe algo mais brutal e animalesco?!”, questiona, durante o texto.

Por fim, a nota fala de uma “falsa dependência” das torcidas organizadas, que, de acordo com o texto, “gritam, fazem barulho, mas, ao mesmo tempo, cometem atos de violência e prejudicam demais os seus clubes. Isso não pode mais existir.” Na sequência, afirma que entre esta falsa dependência e o retorno das famílias ao estádio, “o Clube Atlético Paranaense opta por esta última.”

“Famílias nos estádios estão se tornando fato raro. E cada vez mais será, caso nenhuma providência incisiva e eficaz seja adotada”, finalizou o texto, pedindo o apoio da “verdadeira torcida atleticana”, para que “apoie esta união pela extinção das torcidas organizadas e o fim da violência no desporto.”

A reportagem tentou entrar em contato com a torcida “Os Fanáticos” e com a torcida “Ultras”, mas ninguém foi encontrado para comentar a situação. Até o momento, nos canais oficiais das organizadas, não há nenhum posicionamento sobre a manifestação do Atlético-PR.

Confira a nota na íntegra:

O Clube Atlético Paranaense, por suas mesas diretoras do Conselho Administrativo e Deliberativo, vem a público manifestar seu posicionamento pela extinção das torcidas organizadas, a começar dentro de seu próprio patrimônio, no Estádio Joaquim Américo Guimarães.


As torcidas organizadas foram concebidas como agrupamento de torcedores que se reuniam com um único propósito: torcer pacificamente pelo seu time do coração e manifestar tão somente sua paixão nos estádios de futebol. E hoje, o que temos?!


Temos torcidas organizadas que precipuamente utilizam o pretexto de torcida para criar tumultos, pânico, violência e incitar o ódio entre semelhantes através de seus cânticos. O Clube é apenas um subterfúgio para justificar licitamente sua existência.


Atualmente, as torcidas organizadas existem para explorar economicamente símbolos, imagens e tradição do Clube. São seus verdadeiros concorrentes no mercado. Para essas torcidas, mais importante do que estar presente no estádio torcendo pelo Furacão é hastear faixas e bandeiras próprias e vestir suas camisas, com a única finalidade de expor a sua marca. Vestir a camisa do CAP, não satisfaz.


É fácil constatar. Recentemente, a Diretoria proibiu inicialmente o acesso de adereços das organizadas e, após diversas justificativas de que o estádio estava ficando uma “geladeira”, autorizou, como medida de exceção, a utilização das baterias. Não foi o suficiente. Hoje a torcida mantém “protesto”, agora pela liberação das tão importantes faixas, camisas e bandeiras próprias.


Ora, mais uma vez fica evidenciado que torcer pelo Atlético é mero pretexto.


Nosso Clube (hoje líder no ranking de punições por mau comportamento) e o futebol brasileiro já suportaram demais os prejuízos causados por estas instituições piratas, com a morte de inocentes, espancamentos, rixas, perda de mandos de campo, portões fechados, o esvaziamento dos estádios pelas famílias, proibição da venda de bebidas etc. Vale lembrar e pontuar alguns casos que motivam por si só o presente manifesto:


1) Perda de 09 mandos de campo, sendo 04 com portões fechados, multa de R$ 80 mil, mais um prejuízo direto e indireto estimado em R$ 5 milhões (perda de receitas como bilheteria, custos/prejuízo financeiro e técnico de jogar fora), 25 ações judiciais movidas por torcedores pelo Brasil todo, inclusive uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina em face do CAP com o valor da causa de R$ 10 milhões, em decorrência da violência protagonizada pelas organizadas do CAP e Vasco na cidade de Joinville, em dezembro de 2013;


2) Perda de 02 mandos de campo e multa de R$ 30 mil em razão da briga entre as Torcidas “Os Fanáticos” e “Ultras” no Atletiba realizado na Vila Capanema, em outubro de 2013;


3) Perda de 01 mando de campo e multa de R$ 20 mil por conta de brigas no Atletiba ocorrido em julho de 2009;


4) Perda de 01 mando de campo em jogo contra o Corinthians pela Copa do Brasil e multa de R$ 10 mil, em abril de 2009;


5) Apedrejamento ao ônibus do Clube e ameaças a toda comissão técnica quando da ida ao aeroporto pela Primeira Liga, em março 2016;


6) Ameaças públicas ao Atleta do Clube, Walter Henrique da Silva, em abril de 2016;


7) Cuspe de torcedor, sócio do setor FAN, no goleiro Vanderlei Farias da Silva do Santo Futebol Clube, em junho de 2016.


É a morte do entretenimento civilizado.


A prática inaceitável de agir com violência fez surgir aberrações. Como explicar a escolta policial das torcidas para que caminhem por lados opostos? Existe algo mais brutal e 

animalesco?!


Criou-se uma falsa dependência destas torcidas organizadas que “gritam”, “fazem barulho”, mas, ao mesmo tempo, cometem atos de violência e prejudicam demais os seus clubes. Isso não pode mais existir. E entre esta falsa dependência e o retorno das famílias, o Clube Atlético Paranaense opta por esta última.


Famílias nos estádios estão se tornando fato raro. E cada vez mais será, caso nenhuma providência incisiva, corajosa e eficaz seja adotada. Algo precisa ser feito. E logo. Para tanto, contamos com o apoio da verdadeira torcida atleticana e de todos os entes que de algum modo atuam nesse processo. É justamente por um futuro de segurança, conforto e paz dentro e fora dos estádios e com o retorno das famílias que o Clube propõe esta união pela extinção das torcidas organizadas e o fim da violência no desporto.


Vamos mostrar que é possível outro modelo para torcer por nosso Furacão, com festa, alegria, civilidade e amor ao Atlético. É o que realmente importa e é o que o futebol precisa.


Afinal, a camisa rubro-negra do Furacão, esta sim, só se veste por amor.