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Clubes europeus e dirigentes criticam inchaço da Copa do Mundo

(Foto: Divulgação) - Clubes europeus e dirigentes criticam inchaço da Copa do Mundo
(Foto: Divulgação)

A Associação Europeia de Clubes (ECA), que representa clubes de futebol europeus, manifestou total desaprovação ao aumento times na Copa do Mundo a partir de 2026, anunciado pela Fifa na manhã desta terça (10).

"A Associação Europeia de Clubes reitera que não é a favor da expansão da Copa do Mundo. Nós não vemos os méritos de mudar o formato atual de 32 seleções que foi provado ser a fórmula perfeita de todas as perspectivas. Questionável também é a urgência em se aprovar a decisão nove anos antes de ser aplicada, sem o próprio envolvimento de todos que serão impactados pela mudança".

"Entendemos que a decisão foi tomada com base em razões políticas e não esportivas e considerada a partir de pressão política, o que a ECA acredita ser lamentável. A ECA vai analisar em detalhes o impacto e as consequências do novo formato e vai levar o assunto ao próximo encontro executivo marcado para o final de janeiro", disse a associação.

Além da associação europeia, dirigentes de ligas de outros países como Alemanha e Espanha também criticaram a mudança.

O presidente da Liga Espanhola, Javier Tebas, chegou a comparar Infantino ao ex-presidente da Fifa Joseph Blatter. "O método não é aceitável. Há meses o Infantino nos assegurou que nos consultaria sobre todos os assuntos que pudessem afetar o futebol profissional. E não foi feito isso. Infantino se comporta como Blatter, que tomava suas próprias decisões sem levar em conta o resto", comentou.

"A Fifa faz política e Infantino também quando foi eleito e prometeu mais seleções na Copa. Quero cumprir suas promessas eleitorais, mas as promessas não têm o futebol profissional em conta. A reforma sendo submetida a aprovação em Conselho, mas não com nossa opinião. Isso nos enoja", completou Tebas.

"A Copa do Mundo com 48 seleções é um mau sinal. Somente coisas políticas foram levadas em consideração, não esportivas", disse o diretor da Budesliga (Liga da Alemanha) Karl-Heinz Rummenigge. "E não consigo entender por que o formato com 32 times, que foi provado ser um sucesso tem que ser substituído", completou.

Para o técnico da Juventus, Massimiliano Allegri, o número de 48 seleções na Copa é exagerado. No entanto, o treinador ponderou que tem um ponto de vista diferente de outros profissionais.

"Do ponto de vista de técnico de clube, o formato [com 48 seleções] tem times de mais. Mas se eu fosse treinador de seleções, sem dúvida estaria contente", afirmou.

Federações menores, que devem ser beneficiadas com o aumento de times no Mundial, por exemplo, comemoraram a decisão. O presidente da Associação de Futebol da Irlanda do Norte, David Martin, foi um dos que apoiou a mudança no formato da Copa, assim como a federação de futebol da Nova Zelândia.

"Eu sou a favor de qualquer decisão que dá para a Irlanda do Norte uma chance melhor de classificação para a Copa do Mundo. Um novo formato nos dá isso", comentou David Martin.

"Falamos que queremos entrar diretamente na Copa do Mundo há muito tempo", disse Andy Martin, chefe da Federação da Nova Zelândia. Com o aumento, a Oceania deverá ganhar uma vaga direta para o torneio –atualmente, os times do continente se classificam apenas passando por uma repescagem.

Resposta

Em coletiva nesta terça, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, rebateu as críticas de dirigentes alemães sobre o aumento do número de equipes no Mundial.

"Mesmo se organizássemos um torneio com dois times, um deles seria a Alemanha. É obvio que, independentemente do formato, a Alemanha estará classificada, mas para muitos outros times, essa é a única oportunidade de participar", disse.

Sobre as reclamações da ECA, o suíço afirmou que atendeu aos principais pedidos dos clubes europeus em relação às alterações no formato de disputa, e destacou que nem todos os clubes são contra a mudança.

"Discutimos as mudanças na Copa com os clubes e o ponto foi não aumentar o número de dias da competição nem a quantidade de partidas disputadas pelos jogadores, e fizemos isso [no novo formato, o torneio continua com 32 dias e no máximo sete jogos por equipe]."