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Clubes ficam proibidos de dar ingressos em SP e promotor pede fim das organizadas

Prática comum nos clubes brasileiros, a distribuição de ingressos a torcidas organizadas está proibida em São Paulo. Em reunião nesta segunda-feira na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), convocada após os atos de violência antes e depois do clássico contra Palmeiras e Corinthians, no domingo, ficou decidido que os clubes não poderão mais entregar tíquetes para as organizadas.

Em janeiro, o presidente do São Paulo, Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, admitiu que entregava cerca de 1,5 mil ingressos às organizadas em jogos como mandante e 500 quando a partida é fora de casa. Nas partidas que o clube fez com o Pacaembu praticamente às moscas nas últimas semanas, as organizadas eram maioria visível.

A proposta discutida nesta segunda-feira em reunião que contou com representantes do Juizado Especial Criminal, da Polícia Militar e da Federação Paulista de Futebol, entre outros, é que todos os ingressos agora sejam vendidos via internet, de forma a identificar os compradores.

Mas essa não é a única medida proposta contra as organizadas. O promotor Paulo Castilho, do Juizado Especial Criminal, pediu a extinção judicial da Gaviões da Fiel e da Mancha Alviverde, além de uma endurecimento nas leis para coibir a violência das torcidas. Ele sugere até uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que possa abordar especificamente o tema, sem prejuízo de outras maneiras de reunião.

"As torcidas organizadas se reúnem para brigar. Será que a sociedade quer o Estado como babá dessas pessoas? Acho que não", disse o promotor. Ele acredita que a grande maioria das pessoas é favor do fim das organizadas. Uma PEC, porém, precisa ser aprovada pelo Congresso.

Castilho voltou a defender o uso de tornozeleiras para controlar torcedores que venham a ser processados e condenados por envolvimento em pancadaria. Isso será uma maneira de controlá-los.

O representante do Ministério Público considera que algumas torcidas já deram exemplos seguidos de que não podem continuar com suas atividades, pois protagonizam rotineiramente atos violentos. Por esse motivo, que ficou mais uma vez claro nos confrontos de domingo que resultaram na morte de uma pessoa que nada tinha a ver com os organizados, é que ele pediu que seja determinado o fim das atividades da Mancha e dos Gaviões. "Não somos contra a torcida, mas somos contra atos de violência. É preciso que isso acabe", encerrou.