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Fifa admite pela 1ª vez que votos para escolha de sedes da Copa foram comprados

Quase um ano depois da eclosão de sua pior crise e a prisão de diversos dirigentes pelo mundo, a Fifa admitiu pela primeira vez em um documento à Justiça que votos para a escolha de sedes das Copas do Mundo foram comprados. Ao tentar sobreviver e se mostrar aos tribunais norte-americanos como "vítima" da corrupção, a Fifa também reconheceu que votações para eleições de presidentes foram fraudadas e que propinas foram cobradas em jogos das Eliminatórias.

"Agora fica claro que múltiplos membros abusaram de seu poder e venderam seus votos em múltiplas ocasiões", indicou o documento da Fifa à Justiça dos Estados Unidos.

O caso mais grave se refere às acusações de que os dirigentes Chuck Blazer e Jack Warner haviam recebido US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 38 milhões) para votar na África do Sul como sede do Mundial de 2010. O FBI, em maio, havia feito a denúncia. Mas a Fifa sob a gestão do presidente Joseph Blatter e do secretário-geral Jérôme Valcke, insistia que o pagamento era destinado a um programa social. Documentos foram encontrados mostrando a assinatura de Valcke nas transferências.

Agora, a Fifa muda sua versão e diz que, de fato, os US$ 10 milhões (R$ 38 milhões) foram propinas e que o filho de Warner chegou a ser o "homem da mala", buscando dinheiro em hotéis em Paris. "Eles desviaram o dinheiro para uso privado", disse a Fifa.

Mas, na versão dos advogados, a entidade garante que não sabia de nada. Segundo o documento Warner "mentiu" para a Fifa ao dizer que o dinheiro era para um

programa social, "quando na realidade era uma propina".

No documento, os advogados também apontam que Warner também aceitou vender seu voto para Mohamed Bin Hammam, nas eleições para a presidência da Fifa em 2011, além de distribuir envelopes com US$ 40 mil (R$ 150 mil) para dirigentes da América Central. Acusado de suborno, o dirigente catariano foi suspenso e deixou a disputa antes da realização.

Warner ainda "desviou" milhões em acordos com José Hawilla, dono da Traffic, para jogos válidos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Segundo os advogados, porém, eles mantiveram esses acordos em "sigilo" e "esconderam" os fatos da Fifa.

O esquema continuou a partir de 2011, quando Jeffrey Webb foi eleito para dirigir a Concacaf. Segundo a Fifa, a Traffic pagou propinas e permitiu que Webb comprasse "uma pequena mansão e instalasse uma piscina".

Ao tentar convencer os juízes americanos, a entidade insiste que os dirigentes buscaram "formas de encher seus bolsos" e que "violentaram a Fifa". Para os advogados, eles se "enriqueceram às custas do futebol". "Eles venderam o poder de suas posições", completou.

Ao se apresentar como vítima, a Fifa ainda diz que ela existe para "unir torcedores e jogadores" e tudo que faz é "pelo futebol". Ao ver suas contas se expandir, ela ainda "fortaleceu seus sistemas de controle". Mas lava as mãos sobre o comportamento dos cartolas. "Membros são membros, não afiliados", completou.