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Punidos no São Paulo, Aidar e Ataíde alegam perseguição política

Excluídos do Conselho Deliberativo do São Paulo na noite de segunda-feira, os ex-aliados Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro compartilham da mesma opinião para explicar o motivo que os levou a serem cassados do órgão. Ambos disseram nesta terça ao Estado de S. Paulo terem sido vítimas de perseguição política na decisão em que os 178 conselheiros votaram, e por maioria simples, acataram a punição sugerida pela Comissão de Ética aos ex-dirigentes do time do Morumbi.

A decisão fez Ataíde Gil Guerreiro entregar o cargo de diretor de relação institucionais logo pela manhã, em carta redigida ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. "Estou magoado e muito triste. Não teria cabimento continuar no cargo quando se percebe que o órgão máximo do clube está te rejeitando", disse. O dirigente também ocupou a função de vice-presidente de futebol entre 2014 e 2016, período que contempla também a gestão de Aidar na presidência.

Nesse ínterim, principalmente no segundo semestre de 2015, incidentes fizeram o São Paulo atravessar grave crise política. Aidar renunciou após denúncias de irregularidades na gestão, agravadas por um áudio em que ele sugeria a Ataíde dividir a comissão pela contratação de um jogador. No caso do ex-vice de futebol, pesou na investigação uma agressão ao então presidente em um hotel em outubro do ano passado.

"Saí expulso por um ato que foi bom para o São Paulo, que afastou o presidente. Mas nunca houve irregularidade e desonestidade da minha parte", disse Ataíde. Durante os últimos meses, a Comissão de Ética do São Paulo, presidente por José Roberto Ópice Blum, investigou os casos, ouviu envolvidos e na última segunda, apresentou o parecer, com a sugestão de expulsão do Conselho para os dois dirigentes. Os presentes ao encontro votaram e acataram a punição.

"O parecer alegava que o que fiz com o Carlos Miguel foi uma tentativa de homicídio. Isso é um troço maluco. O conselho aceitou a tese por não estar me querendo mais. Não tem mais o que fazer. Não há recurso estatutário", comentou Ataíde. Em 5 de outubro, o então vice de futebol segurou o presidente do clube pelo pescoço durante uma discussão.

O ex-diretor do São Paulo afirmou que gerou antipatia no Conselho por ter opiniões fortes e promover decisões como vice de futebol que desagradaram alguns colegas. "Era comum algum conselheiro ir ao CT e ficar em volta de jogador. Eu proibi. Fiz um bem para o elenco. Os jogadores adoraram isso. Mas isso criou insatisfação no Conselho. Existia lá dentro esse tipo de coisa contra mim, pelas minhas atitudes sempre serem firmes. Nunca sou unanimidade", explicou.

AIDAR - O ex-presidente do clube afirmou estar decepcionado com o resultado. "Tenho uma longa história no clube, de muito longe, quase de berço. Meu pai foi presidente também. É muito triste ver esse passado jogado na lama por uma questão política. Não há prova alguma contra mim, e nem vai haver", disse Aidar ao Estado de S. Paulo.

Assim como Ataíde, o dirigente afirma que quer continuar vinculado ao São Paulo apenas como torcedor, por estar magoado com a decisão. "O julgamento foi político. Até tentei levar para o lado técnico, mas não consegui. Independente do que a Comissão apresentasse, quem entrou lá no Conselho já sabia o que ia fazer", comentou.

Na noite em que o ex-dirigente definiu como a "última no São Paulo", o Conselho lhe impôs a derrota de 140 votos. "Se o julgamento fosse no Judiciário eu seria absolvido com 100% de certeza. Não há prova concreta contra a minha pessoa. Existe boato e falatório."