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Um avião com 200 mil chapecoenses

(Foto: Reprodução/Prefeitura de Chapecó) - Um avião com 200 mil chapecoenses
(Foto: Reprodução/Prefeitura de Chapecó)

Qual apaixonado por futebol nunca se viu torcendo pelo verdão d’Oeste, apelidado, carinhosamente, de 'ChapeTerror'? Ascendendo no futebol brasileiro, a equipe catarinense trazia consigo muito mais que o esporte: mostrou carisma, simpatia e um humor sem igual no mundo de rivalidade, bem conhecido. Dentro do avião que na madrugada desta terça-feira (29) deixou o mundo em luto, havia muito mais que uma delegação de futebol, jornalistas e tripulação: eram 200 mil chapecoenses e milhões de brasileiros que agora tentam entender uma tragédia sem explicações.

Muita gente ainda dormia, preparando-se para mais um dia de trabalho, estudo e vida. Jogadores e comissão técnica da Chapecoense, junto com tripulantes e jornalistas, viajavam rumo a Medellín, levando consigo a ansiedade de milhares de torcedores em busca de um título inédito: a Copa Sul-Americana. Mais que a consagração internacional, a equipe trouxe novamente para Santa Catarina a paixão pelo futebol e a torcida eufórica na arquibancada que, por hora, escolheu o silêncio como música.

Como se estivesse doente, Chapecó amanheceu cinza, sem vida e sem graça.  “Pareceu que tudo morreu. Aquele avião tinha 200 mil chapecoenses”, relata o empresário Renan Schmitt. Até mesmo conversar está difícil, já que o nó na garganta agora ocupa o lugar onde antes havia euforia. “Ontem, antes de dormir, eram vídeo deles alegres, viajando, comemorando. Aí acorda e está tudo desse jeito, a cidade inteira cinza”.

Hoje, 200 mil chapecoenses e milhões de brasileiros não irão cantar na arquibancada da Arena Condá, casa da Chapecoense, sempre barulhenta. Hoje o silêncio é a música escolhida, transformando o estádio em local de oração, memórias, fala e cabeças baixas. Pelas redes sociais, a rivalidade cedeu lugar às homenagens que lembram, com carinho, de cada um dos passageiros vitimados pela tragédia.

Sem cor de camisa, hino ou rivalidade, nesta terça-feira o futebol brasileiro está menos sorridente, carismático ou bem-humorado. A cidade de Chapecó, cinza e sem som, representa o misto embolado na garganta do país todo. Hoje, o mundo está com a ‘Chape’, a menina catarinense que conquistou o futebol, o país e até mesmo o torcedor rival mais fanático. Hoje, somos todos Chapecoense.

Colaboração Louise Fiala