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Brasil 'relaxa' exigências e deve ver enxurrada de índices no Troféu Maria Lenk

Manuella Lyrio já está qualificada para a Olimpíada nos 200 metros livre e não será surpresa se até outras três nadadoras brasileiras fizeram o índice para o Rio-2016 no Troféu Maria Lenk, que começa nesta sexta-feira, no estádio Aquático Olímpico, na Barra da Tijuca, como evento-teste. Há quatro anos, o Brasil não classificou nenhuma atleta para esta prova em Londres. A evolução é explicada não só pela melhora técnica, mas também pelo relaxamento dos índices exigidos pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), com o intuito de inflar a delegação que competirá em casa.

A Federação Internacional de Natação (Fina) determina os índices necessários para aceitar inscrições de atletas na Olimpíada, mas cabe a cada confederação nacional estipular as marcas que elas entendem como mínimas para convocar atletas. Essas marcas têm que ser iguais ou mais fortes que o chamado "índice A" da Fina.

Acreditando que os critérios mais rígidos estimulariam os atletas, a CBDA vinha adotando índices mais fortes do que os da Fina. Para os Jogos de Londres, por exemplo, o índice Fina dos 200 metros livre feminino era 1min58s33, mas a CBDA exigia ao menos 1min58s20.

Quatro anos depois, com a natação feminina brasileira claramente em um patamar mais alto que no último ciclo olímpico, o índice é expressivamente mais fraco: 1min58s96, uma vez que a CBDA resolveu utilizar a tabela da Fina, a mais fraca possível. Manuella Lyrio se qualificou com 1min58s43, tempo que não a levaria aos Jogos de Londres, em 2012.

Dono da casa, o Brasil está na contramão de potência e de países com nem tanta tradição assim. A Dinamarca, por exemplo, exigiu pelo menos 1min58s23 para a convocação para os 200 metros livre feminino. O Japão cobrou 1min56s82, a Grã-Bretanha 1min55s88 e a Austrália 1min56s95.

Mesmo nas provas em que vai melhor, a natação brasileira conta com a benevolência de índices fracos. Nos 50 metros livre, cinco brasileiros nadaram abaixo dos 22s27 exigidos na primeira das duas seletivas - o Torneio Open, em dezembro, em Palhoça (SC). Tivesse adotado os mesmos índices que Grã-Bretanha (21s84), Japão (21s87) ou Austrália (22s02), só Bruno Fratus (21s50) teria índice.

A consequência disso é que a equipe brasileira, que já tem 25 atletas com índices para o Rio-2016, irá inflada para a Olimpíada, sem que isso necessariamente signifique uma delegação em melhores condições de ganhar medalhas.

Nesta sexta-feira, o Maria Lenk começa com cinco provas, para as quais sete atletas já têm índice, sendo quatro nos 100 metros peito masculino. Apenas os dois melhores vão ao Rio - Felipe França (59s62) e João Luiz Gomes Júnior (1min00s00) largam na frente. Leonardo de Deus é candidato a índice nos 400 metros livre, enquanto que Etiene Medeiros, Daynara de Paula e Daiene Dias podem colocar até duas brasileiras nos 100 metros borboleta nos Jogos. A competição vai até a próxima quarta.