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A Itabira de Drummond: chama Olímpica na terra do poeta

A Itabira de Drummond: chama Olímpica na terra do poeta

Os versos acima do poema “Confidência do Itabirano”, que estão entre os mais famosos de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), eternizaram a cidade natal do escritor mineiro na cultura nacional. O município de pouco mais de 100 mil habitantes, que destaca seu filho mais ilustre em um roteiro especial, será o último a receber o revezamento da tocha Olímpica Rio 2016 nesta quinta-feira (12).

Entre os pontos turísticos da cidade, estão a casa em que nasceu o poeta, a fazenda onde ele morou, o memorial construído no Pico do Amor e a fundação cultural que leva seu nome. A superintendente da Fundação Carlos Drummond de Andrade, Cristina Magalhães, compara a obra do autor à energia levada de mão em mão durante o revezamento.

“Para nós de Itabira e principalmente da fundação, Carlos Drummond de Andrade é uma chama que não se apaga. Temos a honra e o prazer de trabalhar na divulgação de sua obra", destaca Cristina. "É por isso que a gente se empenha com o memorial, com a casa, com a fazenda e também com as expressões que fugiram da poesia e caíram no domínio público, como ‘E agora, José?’ ou ‘Tinha uma pedra no meio do caminho’. Drummond é a nossa chama viva."

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), a casa onde Drummond morou na infância tornou-se um dos pontos turísticos mais visitados de Itabira, assim como a Fazenda do Pontal, onde ele também viveu quando criança.

Nestes e em outros cenários, como na praça principal e na Igreja Nossa Senhora do Rosário, é possível ver em ação os Drummonzinhos, um projeto social da fundação e da prefeitura para estudantes de áreas de vulnerabilidade social da cidade (é obrigatório ter 85% de nota e frequência na escola para poder participar).

Cada criança e adolescente recebe meio salário mínimo como ajuda de custo e, quando completa 18 anos, pode virar guia turístico do Museu de Território Caminhos Drummondianos, um acervo a céu aberto com 44 placas-poemas distribuídas por diferentes áreas de Itabira.

Rafael Madeira, 17 anos, é um destes jovens do Programa Drummondzinhos e fala de um dos seus lugares favoritos deste percurso: “A casa de Drummond, onde ele morou dos dois aos 18 anos, é um dos principais pontos do trajeto do museu, porque aqui é onde ficou toda a sua raiz, sua memória. É a casa em que ele mais gostou de escrever e onde ele mais gostou de passar a sua infância e adolescência.”

A chama Olímpica chega a Itabira após passar pelas cidades mineiras de Naque e Coronel Fabriciano. Na sexta-feira (13), segue por Ouro Preto e Itabirito, além do Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte contemporânea do mundo.