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Após novos casos russos, farmacêutica diz que Meldonium demora a deixar organismo

A semana começou com a Rússia cada vez mais no centro do debate sobre o doping. Nesta segunda-feira, a federação local de atletismo anunciou que quatro atletas do país foram flagrados em exame antidoping pelo consumo de Meldonium. Já a nadadora Yulia Efimova, quatro vezes campeã mundial no nado peito, rejeitou a acusação de doping alegando que não consumiu a substância desde que a mesma se tornou proibida, em 1.º de janeiro.

"Eu categoricamente rejeito a acusação de doping. Nós estamos preparando minha defesa para o caso. Temos a intenção de ter a acusação completamente negada e provar que eu não infringi as regras antidoping. Eu continuo treinando com a esperança de competir nos Jogos Olímpicos no Rio", afirmou ela nesta segunda-feira. Efimova caiu no doping em dois testes realizados fora de competição, ambos em Los Angeles (EUA), no mês passsado. Um realizado pela Agência Mundial Antidoping (Wada), outro pela agência norte-americana.

A nadadora admite que tomou Meldinium por razões médicas, mas que parou de consumir o medicamento cardíaco em 1.º de janeiro, quando a Wada atualizou sua lista de substâncias proibidas e incluiu o Meldonium. "Eu perdi um ano e meio da minha vida por estupidez e desde então eu tomo especial cuidado com qualquer coisa que entra no meu corpo. Eu garanto que cada medicamento que tomei ou me foi dado é legal."

A versão de Efimova pode ser verdadeira, o que, ainda assim, não a livraria de uma segunda suspensão por doping, o que significaria também o banimento dela no esporte. Nesta segunda-feira, a farmacêutica da Letônia que produz o Meldium admitiu que o medicamento permanece no organismo por meses após o consumo. Assim, exames feitos este ano podem indicar a ingestão da substância antes da virada do ano.

"Ainda que a meia-vida do Meldonium no organismo dure apenas de 4 a 6 horas, seu nível completo de eliminação do organismo é significantemente mais longo", admitiu a Grindeks. "Sua eliminação final do corpo pode demorar vários meses e isso depende de uma variedade de fatores", avisou a farmacêutica.

Isso significa que testes que vierem a ser realizados nos próximos meses podem continuar a indicar a presença de Meldonium. Nesta segunda-feira, mais quatro casos foram informados na Rússia, agora no atletismo. O país está suspenso das competições internacionais, exatamente por conta do doping sistemático, mas segue realizando seus torneios nacionais. Quatro atletas foram flagrados no antidoping realizado no Campeonato Indoor da Rússia.

Os novos casos são de Gulshat Fazletdínova, campeã europeia júnior dos 10.000m em 2013, Nadezhda Kotliarova, semifinalista do Mundial de 2015 nos 400m, Olga Vovk, corredora de 3.000m com obstáculos, e o fundista Andréi Minzhulin, campeão russo indoor nos 5.000m. Este úlitimo deu entrevista à agência de notícias R-Sport e afirmou que parou de consumir Meldonium em novembro. A Wada avisou em setembro que a substância seria proibida em janeiro.

Na sexta, a Wada afirmou que já são 102 os casos positivos de doping para Meldonium este ano. Só na Rússia já são públicos pelo menos 25 casos de doping de atletas profissionais, incluindo a tenista Maria Sharapova. A imprensa local fala em cerca de 40 casos, em pelo menos 10 modalidades.

A situação mais complexa é do atletismo da Rússia, que tenta convencer a Associação das Federações Internacional de Atletismo (IAAF) de que controla o doping no país. Os quatro casos recentes não ajudam em nada a tese. Além disso, há o temor de mais um caso no levantamento de peso. Seria o nono no período de classificação para o Rio-2016, o que tiraria o País dos Jogos nesta modalidade, em punição idêntica à recebida pela Bulgária. O halterofilismo deu seis medalhas para a Rússia em Londres.