28°
Máx
17°
Min

Basquete feminino do Brasil não tem mais para onde afundar, diz técnico

Foto: Gaspar Nóbrega / Divulgação CBB - Basquete feminino do Brasil não tem mais para onde afundar
Foto: Gaspar Nóbrega / Divulgação CBB


Antonio Carlos Barbosa evita dizer com todas as letras que o basquete feminino do Brasil chegou ao fundo do poço. Mas o técnico da seleção não nega que pense assim. Com apenas seis clubes jogando a Liga de Basquete Feminino, um número reduzido de atletas profissionais e sem campanhas expressivas da seleção há dez anos, a modalidade já não vê mais luz no fim do túnel.

"Acho que não tem para onde afundar mais. Chegou já numa situação muito ruim em termos de clube, poucos clubes, não tem mais para onde ir", opina Barbosa, de 71 anos, técnico do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2000 (bronze) e 2004 (quarto lugar) e, agora, em 2016. "Não vou chamar de fundo do poço, só não tem para onde descer", diz.

Chamado apenas no fim do ano passado para comandar a equipe no Rio-2016, Barbosa não acredita que, na Olimpíada, estará em jogo o futuro do basquete feminino no Brasil. Mesmo em caso de um bom resultado, o investimento não será significativo nem chegará tão cedo. Se a campanha for ruim, não há muito o que se perder.

"Não vai mudar. O investimento do Santo André, do Americana, do Sampaio Corrêa, do Sport, do Presidente Venceslau não depende do que acontecer aqui. O que pode, se for muito bem, é surgir alguns, mas não imediatamente", aposta o treinador.

Para ele, a situação não é novidade. O basquete feminino do Brasil, diz Barbosa, nunca teve investimentos. "Já tivemos momentos ruins como esse. Em 1994, quando ganhamos o Mundial, não tinha nem Campeonato Brasileiro. O feminino sempre viveu de sobressaltos. O investimento sempre foi em cima de nomes."

Ainda de acordo com Barbosa, o problema não é falta de mão de obra, ainda que os seis clubes profissionais do País não empreguem muito mais do que 50 jogadoras. "Temos jogadoras boas. O time do Brasil no sub-18 foi vice-campeão da Copa América. Com toda essa crise temos as equipes de base. O problema sempre foi investimento nos clubes."