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Brasil leva virada da China e dá adeus ao tricampeonato no vôlei feminino

Brasil perde e dá adeus ao tricampeonato no vôlei feminino

A equipe de esporte coletivo do Brasil mais cotada para medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro está fora da competição sem ter disputado sequer a semifinal. A noite desta terça-feira tirou a seleção feminina de vôlei da rota pelo tricampeonato olímpico em jogo histórico, emocionante e sofrido contra a China, no Maracanãzinho. A equipe chinesa ganhou por 3 sets a 2, com parciais de 15/15, 25/23, 25/22, 22/25 e 15/13, de uma time que antes das quartas da final não havia perdido um set sequer.

O Maracanãzinho vibrou como nunca nesta Olimpíada para tentar manter no páreo o time. As cinco vitórias na primeira fase, a melhor campanha da competição, pararam na impressionante defesa chinesa. As asiáticas protagonizaram um dos resultados mais surpreendentes da história olímpica, pois até as quartas de final, tinham mais perdido (três vezes) do que ganhado (duas ocasiões).

A frieza das adversárias para conter o ímpeto do público ficará na história do vôlei brasileiro. Poucas vezes uma equipe nacional sofreu tamanho revés como mandante, apesar de ser tão favorita antes de entrar em quadra e de atropelar de forma tão impressionante no primeiro set. A China contou com a gigante Ting Zhu, de 1,95 metro, maior pontuadora da partida, com 28, para chegar à façanha.

A mudança de um jogo aparentemente tranquilo para uma batalha dramática mudou completamente o comportamento da torcida. A virada chinesa no terceiro set fez o público trocar a euforia pelo tradicional grito de "eu acredito".

Em quadra, o confronto foi o do favoritismo e experiência contra a juventude da "zebra". O bicampeão olímpico Brasil, de média de idade de 30 anos e a mesma base junta há várias temporadas, sofreu com as "calouras" chinesas. Três das titulares têm menos de 22 anos e integram um elenco cuja média é de apenas 23 anos.

O temor brasileiro antes destas quartas de final era o último encontro com a China, em junho, pelo Grand Prix. Naquele confronto, as chinesas venceram por 3 sets a 0. O estilo de jogo mais veloz representava um desafio novo para se enfrentar depois de dominar a primeira fase.

O Brasil encontrou no começo uma facilidade que era mais armadilha do que realidade. A China parecia acuada pela variedade ofensiva adversária. A levantadora Dani Lins alternava os passes para Sheilla e Fernanda Garay atacarem. Sozinha, as duas marcaram quase a mesma quantidade dos pontos feitos pelas chinesas no primeiro set. Em 21 minutos, 25 a 15 com 12 pontos da dupla.

O desnível técnico sumiu no segundo set por dois fatores. O Brasil se acomodou com a suposta facilidade e levou dois aces por desatenção. A China evoluiu bastante, ao conseguir encaixar ataques rápidos pelo meio e corrigir falhas primárias de fundamentos como recepção e passe. O placar de 25 a 23 impôs à equipe da casa o primeiro set perdido na competição.

O aviso de alerta começou a se transformar em desespero no decorrer do terceiro set. A defesa ia mal e o ataque parava no crescimento do bloqueio chinês. Não à toa o time asiático fechou por 25 a 22, para virar.

O quarto set fez o ginásio ser um caldeirão. Cada ponto arrancava uma vibração digna de gol em final com estádio lotado. O técnico José Roberto Guimarães apostou em Juciely para reagir. A China se manteve à frente até o placar de 14 a 14. A partir daí a torcida se fez mais presente nos gritos para conduzir o 25 a 22 e empurrar a decisão para o tie-break.

A decisão no quinto set teve domínio chinês. A tranquilidade asiática parecia imune aos gritos da torcida. O Brasil até salvou um match point e sonhou engatar uma reação tão heroica quanto à construída contra a Rússia, nas quartas de final dos Jogos de Londres-2012.

Mas a expectativa não durou. A China fechou o jogo no ataque seguinte, para promover um choro coletivo no Maracanãzinho, movido por motivações diferentes. A torcida aplaudiu o esforço brasileiro, embora estivesse incrédula de como o amplo domínio no torneio e na partida escapou pelas mãos de forma tão rápida.