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Brasileiros desafiam a hegemonia dos africanos na maratona dos Jogos Olímpicos

(Foto: Rio 2016) - Brasileiros desafiam a hegemonia dos africanos na maratona
(Foto: Rio 2016)

A prova mais tradicional da Olimpíada será disputada neste domingo, às 9h30, e vai encerrar os Jogos do Rio em samba. Com início e fim no Sambódromo, a maratona é democrática ao longo de seus 42,195 quilômetros. Passando pelas ruas do centro e da zona sul do Rio, o percurso pode ser acompanhado de perto (e de graça) em diversos pontos da cidade pela população. Até por isso, o esquema de segurança será reforçado. Não será preciso abrir o bolso para ver o trio brasileiro - formado por Marílson Gomes dos Santos, Paulo Roberto de Paula e Solonei Rocha da Silva - desafiando a hegemonia dos africanos.

Stephen Kiprotich, de Uganda, é o atual campeão olímpico e principal nome. Outros postulantes ao pódio são Stanley Biwott - atual vencedor da São Silvestre -, Eliud Kipchoge, ambos do Quênia, e Ghirmay Ghebreslassie, da Eritreia. Diante dos adversários, Marilson quer transformar a despedida olímpica no melhor momento da carreira, com a conquista de uma medalha inédita. “Vou me esforçar ao máximo nesta última prova para encerrar minha carreira com a sensação de missão cumprida”.

Marilson pretende reunir no Rio as lições de suas duas participações anteriores nos Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012. Na estreia olímpica, ele estava bem preparado, mas desistiu da prova por não se sentir bem no dia. “Eu podia conseguir um bom resultado, mas não sei bem o que aconteceu e não estava muito bem aquele dia. O clima também prejudicou um pouco. Acabei desistindo”, relembrou.

Quatro anos mais tarde, ele viveu uma experiência oposta: se recuperava de uma lesão e a fase de treinos não foi a ideal, mas terminou na 5.ª posição e atingiu a melhor marca de um não africano na prova. “Não consegui fazer um volume suficiente de treinamentos, mas tive um bom resultado. Vou pegar tudo que aprendi nessas duas participações para fazer meu melhor resultado no Rio”.

Aos 39 anos, o fundista garante ter superado a lesão na panturrilha esquerda que o atrapalhou durante a temporada 2015. Antes de viajar ao Rio, o atleta de Brasília também fez um treino de altitude na Colômbia para que a condição física não seja um problema na prova de hoje. Bicampeão da Maratona de Nova York, é o único sul-americano a ter vencido a corrida de rua duas vezes, em 2006 e 2008. No extenso currículo, Marilson ainda tem cinco medalhas em Jogos Pan-Americanos e ganhou três vezes a São Silvestre (2003, 2005 e 2010).

Para depois dos Jogos Olímpicos, os planos são apenas de aposentadoria e mais cuidados com a família. Sua mulher, Juliana dos Santos, também é atleta e disputou a prova dos 3.000 metros com obstáculos no Rio, mas acabou eliminada na fase de classificação. O casal tem um filho, Miguel, de cinco anos. “É muito difícil manter o rendimento forte até essa idade. Depois, vou pensar em descansar”.

RECUPERAÇÃO - Paulo Roberto de Paula ficou quase dois anos sem completar uma maratona em razão de uma série de contusões, voltou em Fukuoka (Japão) em dezembro de 2015 e conquistou o índice olímpico. Sétimo colocado no Mundial de Moscou, em 2013, e oitavo na Olimpíada de Londres-2012, o fundista superou a concorrência interna e representa o Brasil na prova.

Até 2009, ano em que o Rio foi escolhido para receber os Jogos Olímpicos, Solonei Rocha da Silva ainda trabalhava como coletor de lixo em Penápolis (SP). Sete anos depois, forma o trio brasileiro na maratona. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) estabeleceu que os atletas que terminassem o Mundial de Pequim, em 2015, entre os 20 primeiros estariam automaticamente classificados. Com o 18.º lugar, assegurou sua vaga.

Para afastar as críticas, ele ainda ratificou o posto com o terceiro melhor tempo entre os fundistas do Brasil. Depois de participar de Pequim-2008 e Londres-2012, Franck Caldeira ficou como primeiro reserva.