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Calendário de jogos desfalcará a delegação brasileira na cerimônia de abertura

Foto: COB - Calendário de jogos desfalcará a delegação brasileira na abertura
Foto: COB

Boa parte dos atletas que já fazem parte da missão brasileira no Rio-2016 não vai participar da cerimônia de abertura. A previsão do Comitê Olímpico do Brasil é que, dos 300 esportistas que já estão na Vila Olímpica, cerca de 120 fique nos seus apartamentos descansando para as competições que vão acontecer no sábado.

Como o calendário geral dos Jogos Olímpicos se repete de uma edição para outra, os atletas da natação, por exemplo, já estão acostumado a assistir à cerimônia pela TV. É o caso, por exemplo, de Thiago Pereira. "Até seria uma honra estar na abertura, mas não vou poder. Pelo menos pela primeira vez vou poder ir à cerimônia de encerramento. Em outras Olimpíadas, tive que voltar para o Brasil antes", afirmou o nadador, presente nas três edições anteriores dos Jogos.

Bruno Fratus relembrou que até mesmo no Pan a natação costuma ter compromissos logo no dia seguinte à abertura e, assim, inviabiliza a presença. "Desde que tenho lembrança, nossa equipe nunca pode participar da abertura. Isso sempre me pareceu normal, então nunca cheguei a ter expectativa", disse.

O norte-americano Michael Phelps também pensava assim, até ter a possibilidade de ser o porta-bandeiras dos Estados Unidos. Perguntou ao técnico, de 0 a 10, quanto que o desgaste poderia interferir no seu desempenho na piscina. Se a resposta fosse acima de 8, não iria ao estádio do Maracanã. O 7,8 o satisfez.

Michael Phelps, porém, já provou mais de uma vez que não há desgaste que o tire do caminho das medalhas. Mas ele é exceção e a maioria absoluta dos atletas que estão no Rio precisam estar descansados ao máximo para brigarem pelo pódio. Nem mesmo os jogadores da seleção brasileira masculina de vôlei, que só entram em quadra no sábado à noite, sabem se irão ao Maracanã.

"Me preocupa muito a dinâmica da coisa, quem já foi sabe quão cansativo é. Não vou obrigar ninguém a não ir, já fui jogador. Eles têm que ter consciência do que é importante. Não gostaria que fossem, mas vou entender se forem", afirmou o técnico Bernardinho.

Marcada para as 20 horas, a cerimônia tem duração prevista de 3h30. A preocupação do treinador é com o desgaste dos jogadores no evento, contando o deslocamento da Vila Olímpica, na Barra da Tijuca, até o Maracanã. Segundo Bernardinho, a previsão é que os atletas deixem a concentração às 17 horas e só retornem às 2 horas.

No judô, a questão vai além do descanso. Como a cada dia apenas duas categorias vão ao tatame, apenas Sarah Menezes e Felipe Kitadai competem no sábado. Mas a comissão técnica prefere que eles permaneçam focados no que importa, que é a medalha.

"A última vez que o judô participou de abertura foi em 2004. Sempre coloco que para quem está focado a grande festa é a conquista da medalha. Participar de uma festa antecipadamente não é uma coisa positiva. Eu falo para eles: 'Ninguém comemora aniversário na véspera'. Vamos esperar o dia de cada um e depois, sim, vamos fazer grandes comemorações", explicou Ney Wilson, gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Como contrapartida a esse veto à participação na abertura, a CBJ garante a todos os judocas o direito de estar na cerimônia de encerramento, no próximo dia 21. Vai inclusive pagar passagens aéreas para que os atletas voltem ao Rio.

A equipe parece ter comprado o discurso. "Não é o momento agora, primeiro a gente pensa em lutar. Foco total no campeonato, esquece abertura, esquece conhecer a Vila. Quem sabe a gente vai curtir um pouco depois", previu Victor Penalber, que só vai competir na terça-feira.

Felipe Wu e Rosane Budag talvez nem pela TV assistam a cerimônia. Ela será a primeira brasileira a competir neste sábado, uma vez que a sua prova no tiro esportivo começa às 8h30. Felipe, seu namorado e companheiro de quarto, compete à tarde e também tem como prioridade descansar. Sequer a prova da amada deverá assistir. "Vou ver o resultado depois pela internet".

Apesar de tantas ausências, a delegação brasileira ainda terá cerca de 180 atletas na cerimônia, um terço do total de atletas que participarão do Rio-2016. Para muitos, será a primeira oportunidade da carreira. "Com certeza vou participar da cerimônia de abertura, estou muito animada. Vai estar todo mundo lá, vai ser uma energia muito boa. Com certeza vou tirar foto, fazer selfie", disse Giovana Pedroso, dos saltos ornamentais.