26°
Máx
19°
Min

Com bicicletas a 70 km/h, ciclismo de pista na Olimpíada começa nesta quinta

(Foto: Divulgação)  - Ciclismo de pista na Olimpíada começa nesta quinta
(Foto: Divulgação)

Do piso imaculado só sobressaem linhas demarcatórias coloridas - azul, vermelha, preta - e os nós do pinho siberiano. Apesar das centenas, milhares de voltas completadas no circuito de 250 metros por dezenas de atletas olímpicos que estão treinando há mais de uma semana, não há nenhuma marca de pneu, nenhum resquício de borracha, nenhum vestígio de que alguma bicicleta passou por ali um dia. Pudera. No velódromo olímpico não há freadas bruscas, nem poderia. Não há freios para apertar.

Completando uma volta no circuito oval em menos de 15 segundos, os ciclistas de pista dependem exclusivamente de suas pernas para acelerar e também para parar as bicicletas. Diferentemente das estradeiras ou das mountain bikes, as usadas em velódromo não têm marchas nem alavancas de freio no guidão. Sua roda traseira tem pinhão fixo, o que significa que, se o pneu gira, o pedal gira junto, com velocidade proporcional. O único jeito seguro de parar a bicicleta é diminuir a cadência lentamente.

Por isso, o ciclismo de pista não é apenas força e explosão, mas também habilidade e controle. Qualquer erro de cálculo, esbarrão ou desequilíbrio tem potencial devastador para o atleta e quem vem atrás. Se o da frente cai, a única opção do perseguidor é tentar desviar. Mas a quase 70 km/hora, nem sempre dá tempo, e o resultado são quedas em série tão espetaculares quanto dolorosas. Esfolados e queimaduras por atrito estão tatuados nas pernas, braços e costas dos ciclistas de pista veteranos.

Suas bicicletas são totalmente diferentes das estradeiras: além da ausência de freio e de marchas, o quadro tem ângulos que levam o ciclista a ficar mais deitado, o pinhão é fixo, o guidão é curvo e as rodas são inteiriças ou com três ou quatro raios. Para aumentar a potência, a catraca da frente é muito grande, e a de trás, muito pequena. O capacete também é mais aerodinâmico.

O equipamento não é a única distinção. O biotipo do ciclista de pista é diferente do de estrada. Para ir de 0 a 70 km/h em poucos segundos, são mais musculosos e menos longilíneos. No Rio-2016, a média de altura dos ciclistas de pista (1,81 metros) é similar à dos de estrada (1,79 metros), mas eles são 11 quilos mais pesados. Em consequência, seu IMC é 13% mais alto. Entre as mulheres, a diferença de IMC é de 9%. As ciclistas de pista são, em média, 3 centímetros mais altas e 7 quilos mais pesadas. Puro músculo.

RARIDADES - A demanda por tipos de esforço distintos faz raros os ciclistas que se dão bem tanto na pista quanto na estrada. Duas dessas raridades têm chance de ganhar medalhas no velódromo olímpico, porém. O britânico Mark Cavendish é o segundo maior vencedor de etapas na história da Volta da França, a Copa do Mundo do ciclismo de estrada. No Rio, trocou o asfalto pela madeira e usará a força de seus sprints na perseguição por equipes e na omnium (composta por seis provas). Não é o maior astro do time britânico, todavia.

Sir Bradley Wiggins acumula quatro medalhas olímpicas de ouro e uma Volta da França. Em 2012, 10 dias após ganhar a mais importante prova do ciclismo na França, venceu o contrarrelógio olímpico nas ruas de Londres. Em Atenas-2004, ganhou três medalhas na pista: ouro na perseguição individual, prata na perseguição por equipes e bronze na Madison. Em Pequim-2008, levou ouro na perseguição individual (com quebra de recorde olímpico, mantido até hoje) e na por equipes. Tantas medalhas lhe renderam o título de cavaleiro britânico em 2013.

No Rio, Wiggins volta ao velódromo para tentar a sua oitava medalha olímpica e estabelecer assim um novo recorde. Mas, na perseguição por equipes, o hegemônico time britânico enfrentará rivais duros de bater. Principalmente Austrália e Dinamarca.

O velódromo do Rio-2016 terá sua inauguração oficial nesta quinta-feira, a partir das 16 horas. É a única pista de madeira e coberta do País. O velódromo construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, não muito longe dali, foi derrubado porque não atendia às especificações exigidas pela UCI (União Ciclística Internacional) para provas olímpicas. Pilares impediam a vista desobstruída de toda a pista, por exemplo.

Dos cinco tipos de provas olímpicas, duas serão disputadas no primeiro dos seis dias de competição: perseguição por equipes e sprint por equipes - ambas masculinas. A última prova de sprint do dia valerá medalha de ouro para a equipe mais rápida.