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Com Neymar, seleção masculina de futebol estreia no Rio-2016 contra África do Sul

(Foto: Divulgação)  - Com Neymar, seleção masculina de futebol estreia no Rio-2016
(Foto: Divulgação)

Melhor jogador do futebol brasileiro, Neymar dá início nesta quinta-feira à sua Olimpíada. A estreia da seleção contra a África do Sul, às 16 horas, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, marca também a primeira etapa de um desafio pessoal para o atacante: o de ganhar a medalha de ouro que escapou quatro anos atrás, em Londres. Para isso, ele se propôs a liderar o time e a assumir a responsabilidade e o protagonismo na equipe.

Aos 24 anos, Neymar já é um jogador consagrado - e milionário. Tem uma legião de fãs, é garoto-propaganda muito requisitado, chegou até a atuar como ator em Hollywood. E já ganhou vários títulos. Por Santos e Barcelona. Pela seleção, desde se que tornou profissional tem apenas o título da Copa das Confederações de 2013, no Brasil.

Neymar tem ambições. Vir a se tornar o melhor jogador do mundo é uma delas. Para isso, títulos de expressão ajudam. E conduzir o Brasil a uma medalha que ainda não tem pode render frutos no futuro. O craque do Barcelona sabe disso. Tanto que fez de tudo para jogar a Olimpíada - preteriu, com anuência do clube e da própria direção da CBF, a Copa América Centenário, apesar da oportunidade de marketing que poderia representar. Entrou em férias, badalou, mas também descansou e até treinou por conta própria antes da apresentação ao técnico Rogério Micale. Tudo pelo ouro.

Capitão do time olímpico - vinha sendo também o da seleção principal -, Neymar garante estar pronto para fazer a sua parte. “Aceito essa responsabilidade e assumo totalmente, não tenho como fugir. Espero no fim de tudo me igualar aos grandes campeões olímpicos e que a equipe inteira possa fazer história. Trazer esse ouro”, disse.

Estrela de uma seleção promissora, Neymar tem procurado deixar os companheiros à vontade. Conversa bastante com eles antes, durante e depois dos treinos, brinca, dá conselhos. Tem procurado comportar-se como líder e como colega. Segundo ele, o comportamento é consequência do amadurecimento. Depois da prata em Londres, ele trocou o futebol brasileiro pelo espanhol, teve bons e péssimos momentos na seleção, ainda enfrenta problemas com o Fisco no Brasil e na Espanha. Mas se diz mais forte física e mentalmente.

“Mudei muito de 2012 para cá. Tive erros nesses anos, mas vamos aprendendo, crescendo, tenho certeza de que mudei bastante”, assegurou. “No meu jeito de jogar, em tudo. Eu jogava no Santos, não estava entre os melhores do mundo. Na temporada passada eu fiquei. Aprendi outra filosofia de jogo, agreguei coisas às minhas qualidades”.

Se ainda há dúvida sobre esse amadurecimento por causa de alguns escorregões - no ano passado, por exemplo, foi suspenso por quatro jogos da seleção por descontrolar-se e afrontar o árbitro após ser expulso depois do jogo contra a Colômbia pela Copa América - Neymar ao menos na retórica procura tomar para si a frente do projeto olímpico que visa o ouro. “Se houver qualquer cobrança ou peso eu assumo a responsabilidade. Sabemos que enfrentamos dificuldades no nosso País e na nossa seleção, eu estou há um bom tempo na seleção e quero tirar essa responsabilidade das costas deles”, disse sobre os companheiros.

O também novato técnico Rogério Micale conta com isso. Habituado a conversar com os jogadores durante os treinos, ele tem em Neymar seu principal interlocutor. E não tem vergonha em admitir o que espera dele. “Lógico que quero ser dependente do Neymar. Que treinador do mundo não o quer no seu time? Eu quero tê-lo sempre comigo. Ele merece todo respeito, é um jogador que desequilibra”.

É esse poder de desequilibrar, positivamente, que se espera de Neymar. E o próprio Neymar espera dele, para, como o craque diz, “fazer história com a seleção”.