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Conheça a história da Chama Olímpica e de seu revezamento em tochas

Ensaio da cerimônia de acendimento da tocha olímpica, em Olímpia: atualmente, uma atriz grega representa a sacerdotisa do templo de Hera, responsável por acender o fogo. (Foto: Roberto Castro/ME) - Conheça a história da Chama Olímpica e de seu revezamento em tochas
Ensaio da cerimônia de acendimento da tocha olímpica, em Olímpia: atualmente, uma atriz grega representa a sacerdotisa do templo de Hera, responsável por acender o fogo. (Foto: Roberto Castro/ME)

Símbolo dos Jogos Olímpicos da Modernidade, a Chama Olímpica faz parte de um ritual realizado desde a Grécia Antiga. O fogo sempre teve caráter sagrado para os gregos:  para eles, a história humana começa a partir da desobediência do titã Prometeu, que contrariou a ordem de Zeus, o deus supremo, e roubou os fogos dos deuses para dar aos homens, junto com as ciências e artes.

O fogo permanecia aceso nos altares de seus principais templos, como o Templo de Hera, que recebia as competições dos Jogos Olímpicos na Antiguidade. 

No passado, raios solares acendiam uma chama em uma pira de Olímpia, cidade que fica a 300 quilômetros da capital Atena. A técnica utilizada pelas sacerdotisas do templo para acender o chamado “fogo puro” requeria o uso da skaphia, uma espécie de espelho côncavo que converge a luz do sol em um só lugar. O rito simbolizava, então, a devolução do elemento divino ao deus mais poderoso para os gregos.

Uma tradição antiga que remonta às origens do revezamento da tocha era o envio de mensageiros a todas as cidades da Grécia Antiga, com a missão de anunciar a data de início dos Jogos. Junto com o anúncio era proclamada a trégua olímpica, que começava um mês antes do evento e se estendia até o fim das competições. Neste período, as guerras eram interrompidas para garantir o envolvimento de atletas e espectadores nos Jogos. Hoje, o trajeto também serve para anunciar que os Jogos estão chegando.

Na era moderna, a pira olímpica foi acesa pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Amsterdã, em 1928. O escolhido para retomar o ato simbólico foi um funcionário da companhia elétrica da cidade. Mas foi nos Jogos Olímpicos de 1936 que atletas transportaram a chama em tochas até Berlim, cidade-sede dos jogos daquele ano, em um revezamento que só termina com a iluminação da pira olímpica, marcando o início oficial dos Jogos. O idealizador do revezamento foi o alemão Carl Diem: em sua primeira incursão por outros territórios, a tocha percorreu 3.075 quilômetros, passou por sete países e pelas mãos de 3.075 portadores.

Um dos momentos mais marcantes da história do fogo olímpico aconteceu em 1964, durante os Jogos de Tóquio. O jovem japonês Yoshinori Sakai, que nasceu em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945, exatamente na hora em que a bomba nuclear devastou a cidade, foi o responsável por acender a pira. Ao longo dos anos, a Chama Olímpica se consolidou como símbolo de paz, união e amizades entre os povos.

De volta às origens

De acordo com a Carta Olímpica, em sua Regra 54, o Comitê Organizador Local é responsável por trazer o fogo até o Estádio Olímpico da cidade-sede - no Rio de Janeiro, será o Maracanã. O cerimonial atual prevê que uma atriz grega, interpretando a sacerdotisa dos tempos antigos, use uma lente para refletir os raios de Sol e acenda a chama em frente às ruínas do templo de Hera. Esta cerimônia está marcada para amanhã (21), ao meio-dia, no horário local (6h, pelo horário de Brasília).

Depois de aceso, a atriz Katerina Lehou levará o fogo até o Estádio Olímpico de Atenas. O primeiro atleta a recebê-la será o ginasta grego Eleftherios Petrounias, campeão mundial nas argolas. Petrounias irá iniciar o revezamento, passando o fogo para o primeiro brasileiro a conduzi-lo: o bicampeão olímpico no vôlei em Barcelona 1992 e Atenas 2004, o ex-jogador Giovane Gávio. O símbolo viajará pela Grécia por seis dias, sendo levado por 450 pessoas – entre eles um refugiado sírio asilado no país, que conduzirá a tocha em nome daqueles que foram forçados a deixar seus países – e percorrendo cerca de 2.234 quilômetros.

O último local do percurso grego da tocha é o antigo estádio Panathinaiko, sede da primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896. Transportado de Olímpia até o Brasil – em um recipiente hermeticamente fechado usado para os deslocamentos de avião – o fogo começa a cruzar o país no dia 3 de maio, partindo de Brasília. Mais de 300 cidades fazem parte do trajeto, com 12 mil condutores, entre pessoas comuns, celebridades, atletas e ex-atletas, sendo vedada a participação de ocupante ou candidato a cargos ou mandatos eletivos. As pessoas que carregarão a tocha foram escolhidas por alguns dos patrocinadores dos Jogos, que receberam indicações de candidatos com histórias de vida que refletem os valores olímpicos.

Chama que não se apaga

A cada edição, diferentes tecnologias são empregadas para evitar que a chama se apague debaixo de chuva, por falta de combustível ou outra intempérie. Por garantia, ainda na Grécia, a equipe organizadora já acende uma chama reserva dias antes da chama principal nascer. O objetivo é evitar que um dia nublado estrague a festa, apague o fogo e haja dificuldade em acender o fogo, mesmo com a utilização de lentes especiais. 

Da mesma forma, em cada cidade-sede, o comitê local mantém uma chama reserva para eventualidades. Em seu deslocamento nestes anos, o fogo olímpico já cruzou o Canal da Mancha de navio, enfrentou a neve, mergulhou até a Grande Barreira de Corais, na Austrália, chegou ao espaço, andou de cavalo e camelo e viajou em canoas indígenas.

Colaboração Agência Brasil