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Consagração do Brasil no Rio-2016 passou pelas mãos de Rogério Micale

(Foto: Rio 2016) - Consagração do Brasil no Rio-2016 passou pelas mãos de Rogério Micale
(Foto: Rio 2016)

O comportamento do treinador Rogério Micale ao longo de toda a partida deste sábado variou muito pouco. Desde o início da partida ele se posicionou perto do vértice direito da área técnica brasileira e quase não se afastou dali. Mas quando Neymar marcou o pênalti decisivo, o treinador abraçou os colegas da comissão técnica, entrou em campo, ajoelhou-se e caiu no choro.

Micale, de 47 anos, passou, em seguida, a receber os abraços dos jogadores. Depois, meio sem rumo, ficou andando pelo campo, apertando mãos, abraçando quem se aproximasse. Dava a impressão de não estar ainda muito convencido de que acabara de conquistar um campeonato olímpico, façanha inédita que treinadores famosos, como Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Dunga e Mano Menezes não alcançaram.

A honra e a glória da medalha dourada couberam a esse ilustre desconhecido. Fala mansa, bem-humorado, humilde, obstinado pelo trabalho e pela família, o baiano entra para a história do futebol brasileiro.

Goleiro discreto nos tempos de jogador, mas desde sempre interessado por tática, Micale, ao decidir trocar a meta pelo banco, fez duas exigências a si mesmo: fazer o melhor que pudesse, mas sem deixar de lado o convívio familiar. Isso o levou a optar pelo trabalho na base.

Na época, morava em Londrina, havia se casado com Silvana e Carolina, a mais velha de suas três filhas, estava a caminho - depois viriam Natália e Amanda. “É importante educar os filhos”, resume.

Aranha, como o goleiro era conhecido, tinha 23 anos e ainda fez um pit stop antes de virar definitivamente treinador de base: abriu uma escolinha de futebol em Londrina. Logo arrumou trabalho no sub-20 da Portuguesa Londrinense, onde havia jogado. Um goleiro "meia-boca", como o próprio Aranha define. Começava, assim, a nova carreira de Mario Rogério Reis Micale.

O tempo passou, ele trabalhou em clubes do Paraná e Santa Catarina, conquistou a Copa São Paulo de Futebol Junior pelo Figueirense em 2008 e no ano seguinte aportou no Atlético Mineiro. Acabaria criando raízes. Hoje, a família Micale mora em Belo Horizonte, para onde o técnico não vê a hora de retornar. “É sempre bom voltar para casa, é um porto seguro.”

Nos planos imediatos de Micale está a comemoração atrasada do Dia dos Pais. O presente levará na bagagem, o título olímpico. “Tudo o que faço, penso nas minhas filhas e na minha esposa, busco o bem-estar da minha família”, diz o treinador.