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Convocada como reserva, curitibana brigou para ser titular na esgrima

(Foto: IND/AGENCIAUNO/JAIME LOPEZ) - Convocada como reserva, curitibana brigou para ser titular na esgrima
(Foto: IND/AGENCIAUNO/JAIME LOPEZ)

A esgrima está em evidência antes mesmo de os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começarem. A responsável pela projeção do esporte é Amanda Sampaio. A brasileira estreia neste sábado, às 9 horas, contra a francesa Marie-Florence Candassamy, resguardada pela bênção do falecido avô na espada que vai para combate. Livre de responsabilidade, Amanda quer ganhar experiência. Isso não quer dizer que não jogará com bravura contra as favoritas.

Atitude a curitibana de 22 anos tem de sobra. E foi esse poder de decisão que a colocou na equipe brasileira de esgrima nos Jogos Olímpicos. Amanda, que estava como reserva, entrou com um processo apontando irregularidade no processo de cidadania da húngara Emese Tákacs e ganhou. Com a naturalização da estrangeira suspensa, a Confederação Brasileira de Esgrima (CBE) decidiu desconvocar Emese da Olimpíada e abriu espaço para Amanda entrar em seu lugar.

"Foi difícil, polêmico e as meninas da minha equipe estavam com medo de se expor. Mas eu prefiro me expor e tentar do que ficar sentada no banco de reserva sabendo de uma coisa que não é certa. Fiquei sabendo que o casamento dela era forjado e eu, minha mãe e os advogados descobrimos que realmente tinha documentação que provava que estava tudo errado", conta.

A exposição não é um problema para Amanda Simeão. A atleta recebeu uma proposta da Playboy para mostrar as curvas de seu corpo. Recusou estampar nua as páginas da revista masculina, mas a negociação continuou. Ela diz ter estabelecido outras condições: divulgar o seu esporte e sua carreira. Com o intermédio da mãe, chegou a um acordo com a publicação e estrelaria um ensaio sensual, sem exibir suas partes íntimas. Uma máscara, daquelas usadas pelas esgrimistas, cobriria algumas partes de seu corpo.

Mas os planos foram cancelados após o veto do Exército. Assim como outros 144 atletas que representarão o Brasil na Olimpíada, Amanda é 3º Sargento do Exército e participa de um programa de alto rendimento liderado pelo Ministério da Defesa. "Não quero me prejudicar com eles e não quero prejudicar a imagem do Exército, se fosse uma outra revista acredito que não teria problema, mas a Playboy tem um nome muito forte. Entendi o ponto de vista deles, não tive problemas", esclarece.

A beleza é usada como trunfo pela esgrimista. Vaidosa, não sai de casa e muito menos se deixa fotografar sem maquiagem. "Sabe aquela foto do Ronaldo antes e depois (de engordar)? Não dá", brinca, referindo-se ao pentacampeão mundial. Amanda se descreve como uma jovem "super normal", mas reconhece que chama a atenção por onde passa e vê a chance de desestabilizar as adversárias com essa aura de musa da Olimpíada.

"Não é uma coisa que me incomoda, mas incomoda os outros, tira o foco das outras pessoas. Eu sou baixinha (1,66 m), não sou magra (62 kg), meu cabelo não é loiro, não tenho olhos azuis. Minhas adversárias que ficam prestando atenção e se perguntando: 'O que ela tem?'", comenta.

No Rio, quer mostrar que, apesar de sua preocupação com a aparência, o foco está na competição. Se não nutre muitas esperanças para a prova individual, a expectativa cresce na disputa por equipes, no dia 11, depois do bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho de 2015. Ela sonha em repetir o terceiro lugar no pódio: "É o meu maior objetivo".