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Cubanos surpreendem, avançam e sonham com medalha olímpica no vôlei de praia

(Foto: Rio 2016) - Cubanos avançam e sonham com medalha olímpica no vôlei de praia
(Foto: Rio 2016)

Os cubanos Nivaldo Diaz e Sergio Gonzalez desembarcaram no Rio para disputar sua primeira Olimpíada apenas como mais um entre os 24 times masculinos de vôlei de praia na disputa e longe do favoritismo ao pódio. Em apenas uma semana, entretanto, os dois deram aos expectadores dos Jogos do Rio o melhor cartão de visitas possível: três vitórias em três jogos e apenas dois sets perdidos. A performance irretocável na primeira fase pôs os jovens de 22 anos e 26 anos nas quartas de final, após vitória nesta sexta-feira sobre os austríacos Doppler e Horst por 2 sets a 0, tornando palpável o sonho da primeira medalha olímpica de Cuba na modalidade.

O desempenho arrasador deixou no ar a pergunta: quem são os meninos que desestabilizaram os brasileiros Evandro e Pedro Solberg na estreia, seguiram desbancando os tarimbados letões Samoilovs/Smedins e passaram como um trator sobre os canadenses Schalk/Saxton sem chance de reação? A torcida que começou contra no jogo contra os brasileiros acabou aplaudindo de pé os cubanos na arena. Os dois fazem ganhar parecer fácil. "Pode parecer, mas não é nada fácil", diz Gonzalez.

Juntos há quatro anos, os dois amealharam bons resultados como o bronze no Pan de Toronto e o nono lugar no Campeonato Mundial de 2015, na Holanda. A classificação para os Jogos veio dos resultados obtidos na Continental Cup, campeonato da Norceca, a confederação de voleibol que reúne países da América do Norte, Central e do Caribe.

Até hoje os dois não participam do Circuito Mundial da Federação Internacional de Vôlei (FIVB, na sigla em inglês), que tem etapas pelo mundo, muitas na Europa. Atualmente o time tem seus uniformes patrocinados pela marca Puma. O resto é custeado pelo próprio governo cubano, dentro de um programa de formação de atletas. "Estamos abrindo as portas para que participem do Circuito Mundial, em busca de um patrocinador para bancar as viagens", diz o técnico da dupla e ex-jogador Leonides Regueiferos, atribuindo a ausência dos atletas na competição a questões financeiras, sem fundo político. O maior conselho aos pupilos é "joguem com o coração".

Caçula da família, Gonzalez é natural de Holguin. As três irmãs mais velhas se formaram em medicina, enfermagem e farmácia. Fora das quadras o jogador é estudante universitário, cursando Educação Física no Instituto Superior de Cultura Física Manuel Fajardo, em Havana. "Desde pequeno gostava de esportes. Já joguei futebol e lutei taekwondo, mas acabei ficando com o vôlei", conta o jogador. Ele nega ter um ídolo no esporte, mas menciona o tenista Rafael Nadal e o campeão olímpico de vôlei de praia de 2008, o norte-americano Phil Dalhausser, como nomes admirados.

Dalhausser está disputa pelo ouro no Rio e nada impede um confronto com os cubanos mais para frente. A política parece estar muito longe da realidade dos jovens atletas. Quando questionados sobre a situação de Cuba e as expectativas em torno de mudanças após a visita do presidente americano Barack Obama, em março, e o possível fim do embargo econômico dos Estados Unidos ao país, os dois desconversam.

"Não me preocupo com esses temas, só leio as notícias. O mais importante para nós é praticar voleibol", afirma Diaz, que ao contrário de Gonzalez vem de uma família de esportistas. O pai jogou futebol e o avô paterno foi boxeador. O jogador admite que ganhar uma medalha no Rio seria fantástico. "É o sonho de qualquer atleta ao representar seu país", diz.

Apesar da tradição no vôlei de quadra e cheio de praias, Cuba até hoje não deslanchou no vôlei de areia. Os cubanos Alvaro Cutino e Juan Rosell até então eram a única dupla a competir pelo país em Olimpíadas, em Atlanta-1996 e Atenas-2004, tendo o sétimo lugar na Olimpíada os Estados Unidos como sua melhor colocação. Diaz e Gonzalez despontam como uma dupla capaz de reverter esse quadro. "As vitórias aqui sinalizam que eles podem seguir um caminho promissor. A preparação psicológica é trabalhar todos os dias e amor à camisa", diz a tricampeã olímpica e bicampeã mundial do vôlei de quadra Mireya Luis, uma das maiores jogadoras da história e hoje na equipe técnica cubana.