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Decisão do COI exige que russos e quenianos provem que são 'limpos' para Rio-2016

Em uma decisão sem precedentes, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que todos os atletas russos e quenianos, em todas as 28 modalidades, terão de provar que estão limpos do doping e passar por novos testes para que sejam aceitos para competir nos Jogos do Rio de Janeiro. A entidade manteve a suspensão sobre os russos no atletismo. Mas, atendendo um apelo do governo de Vladimir Putin, o COI barrou a decisão de impedir que atletas possam competir sob a bandeira russa.

O Kremlin havia alertado, momentos antes do anúncio da decisão, que poderia tomar uma decisão "sem precedentes", abrindo temores de um boicote no Rio. Nesta terça-feira, os russos anunciaram que vão levar o caso à Corte Arbitral do Esporte, abrindo uma disputa legal que poderá durar até a véspera do evento no Brasil.

O anúncio foi feito em Lausanne, depois de uma reunião de cúpula do COI. O objetivo era o de mandar um recado forte a todos os países de que casos como o de Moscou, onde há forte suspeita da existência de apoio estatal no esquema de uso de substâncias proibidas por atletas, não serão tolerados. O Quênia, com um laboratório descredenciado, também terá de submeter todos seus atletas a novos exames.

No total, o esforço para reexaminar todos poderia envolver 500 diferentes atletas. Os russos planejavam levar 450 competidores ao Rio, contra cerca de 50 por parte do Quênia.

O esforço de testar cada um dos atletas ou validar sua participação caberá às federações esportivas de cada uma das modalidades. "A conclusão é de que as alegações contra a Rússia e a situação no Quênia colocam sérias duvidas sobre a presunção de inocência dos atletas. Portanto, cada atleta que venha desse país terá de passar por exames independentes e fora de locais onde seus laboratórios tenham sido afetados", disse Thomas Bach, presidente do COI.

O mesmo princípio aplicado na Rússia valerá para o Quênia, onde os resultados também não serão aceitos e novos testes terão de ser realizados e examinados por laboratórios antidoping de outro país.

Na última sexta-feira, a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) havia anunciado a proibição da participação na Olimpíada de todo o atletismo russo diante da acusação de que o doping na modalidade havia sido generalizado e que as autoridades de Moscou não adotaram medidas suficientes para garantir o controle do uso de produtos proibidos.

Vladimir Putin, presidente russo, deixou claro que não aceitava a "punição coletiva" e alertou que iria pressionar o COI a rever a situação. Para ele, uma "solução" teria de ser encontrada e recusou a ideia de que os atletas "limpos" só pudessem competir sob um bandeira neutra, e não pela Rússia.

O COI, assim, decidiu por manter a suspensão, mas atendeu a algumas das exigências dos russos. "Quem provar que está limpo poderá atuar com a bandeira russa", disse Bach.

O presidente do COI insistiu que não apenas os atletas sejam suspensos, mas também as autoridades responsáveis pelos programas de doping. Nas investigações da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), o ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, também foi implicado.

Bach, respondendo ao Estadão.com, garantiu que não existe contradição entre a autorização aos atletas para que participem pela Rússia e o envolvimento das autoridades. "O Comitê Olímpico Russo foi muito cooperativo", disse Bach, contradizendo os informes independentes da Wada. Atletas como Yelena Isinbayeva já haviam anunciado que não aceitariam competir sob uma bandeira neutra.