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Delegacia: é ingênuo crer que membro do COI não se envolvia em venda de ingressos

(Foto: Divulgação) - Delegacia: é ingênuo crer que membro do COI não se envolvia em venda
(Foto: Divulgação)


A Delegacia de Defraudações, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo a venda de ingressos para a Olimpíada do Rio, considera "ingenuidade" acreditar que o presidente do Comitê Olímpico da Irlanda, Patrick Joseph Hickey, não tenha envolvimento no episódio. Hickey foi preso pela manhã desta quarta-feira, acusado de facilitar o cambismo, de promover marketing de emboscada e de formação de quadrilha.

Segundo inquérito ao qual o Estadão.com teve acesso, o comitê irlandês, presidido por Hickey há 20 anos, possui "vínculo de confiança comercial" com a empresa THG, contratada para vender ingressos de eventos esportivos. A empresa foi credenciada como revendedora por indicação do comitê para o Rio-2016, para os Jogos de Inverno de Sochi, em 2014, e para a Olimpíada de Londres, em 2012.

Para a cerimônia de abertura do evento deste ano, chegou a cobrar US$ 8,6 mil (R$ 27 mil) de entrada, enquanto, no Brasil, o bilhete mais caro saiu por R$ 4 mil. Um diretor da THG, o britânico Kevin James Mallon, foi preso no último dia 5.

Além do "vínculo de confiança comercial estabelecido pelo Comitê Olímpico Irlandês com a empresa THG", o inquérito sugere que Hickey teve "ingerência na tomada de decisões tão relevantes como a indicação da empresa responsável pela revenda de ingressos de evento de magnitude global".

No esquema, os envolvidos ainda estariam promovendo ações publicitárias e comerciais sem a autorização dos organizadores. Isso denotaria "a existência de ramificações (do esquema de corrupção) na mais alta cúpula do Comitê Olímpico da Irlanda", segundo o documento da Delegacia de Defraudação.