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Ensaio da cerimônia de abertura tem Regina Casé, rap e poema de Drummond

(Foto: Beth Santos/ PCRJ) - Ensaio da cerimônia de abertura tem Regina Casé e poema de Drummond
(Foto: Beth Santos/ PCRJ)

Soquinhos para o alto, palmas, o corpo faz uma onda, braços agitados. A plateia será protagonista da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, com coreografias ensaiadas momentos antes do início de festa. Coube a Regina Casé, apresentada como “rainha de diversidade”, interagir com o público: “Caraca, tô no meio do Maraca”, começou. “Tô me sentindo o Pelé”.

Regina ensinou o público a fazer sons da floresta, com batidas de um, dois, três dedos na palma da mão, barulho de chuva, imitar macacos e araras. “Todo mundo de pé. Sacode o braço que nem o ‘boneco do posto’”.

O piso do estádio foi convertido num enorme telão onde foram projetadas as ondas do mar, a terra habitada por índios, os prédios, que pareciam brotar do chão, num bonito efeito. Alegorias simulavam as caravelas portuguesas. Bailarinos negros lembraram a escravidão em acrobacias sobre uma moenda.

O público mostrou empolgação num bonito voo do 14-Bis, uma réplica do avião de Santos Dumont, que começa no estádio e depois “sobrevoa” a cidade em imagens projetadas nos telões que mostravam desde cartões-postais tradicionais, como a Lapa e o Cristo, às novas paisagens.

Os presentes no ensaio geral deste domingo no Maracanã sacudiram aos primeiros acordes do Rap da Felicidade (eu só quero é ser feliz / e andar tranquilamente na favela onde eu nasci), e o Maracanã virou um baile funk, com direito a passinhos.

O carnaval carioca não foi representado como ocorre usualmente. Ficaram de fora passistas de biquínis mínimos. A mais importante festa do Rio de Janeiro foi lembrada pelas fantasias coloridas dos blocos de rua - é aí que entra a coreografia da plateia, com soquinhos no ar e braços descoordenados.

A abertura lembra ainda das questões ambientais, como aquecimento global e derretimento da calota glacial. Nos alto-falantes, as vozes alternadas das atrizes Fernanda Montenegro e Judi Dench declamavam A Flor e a Náusea, de Carlos Drummond de Andrade. O público aplaudiu o anúncio de que serão plantadas 12 mil mudas de árvores na chamada Floresta dos Atletas, o legado ecológico dos Jogos.

Em seguida, teve início a entrada das delegações dos países. Durante a longa (e monótona) entrada dos atletas, baterias das escolas de samba se revezavam circulando a área do antigo gramado, bem junto aos primeiros assentos.

A chegada ao Maracanã serviu como teste para a cerimônia de abertura. O metrô circulou cheio. Um turista francês teve o celular furtado na saída da estação Presidente Vargas, quando um grupo numeroso desceu. Nervoso, ele não quis dar entrevista. “Que absurdo”, repetia.

A entrada no estádio estava organizada. Às 16h40, o acesso levava menos de 10 minutos. Agentes de Força Nacional de Segurança revistavam o público. Quando os espectadores entraram no estádio, encontraram cadeiras sujas.

Enquanto esperavam pelo início do show, os espectadores se distraíam com suas imagens refletidas nos telões, que mostravam um coração se formando em volta dos casais.

Os telões do estádio exibiram avisos de “Mantenha a surpresa. Não tire fotos”. A apresentadora Gloria Maria chamou o público para um “papo reto” e também fez um apelo pela discrição, para “surpreender o mundo”. Mas a recomendação não foi seguida. Muitas pessoas filmaram e fotografaram o ensaio geral da festa de abertura. Dezenas de fotografias e vídeos foram publicados nas redes sociais da internet.