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Forças Armadas treinarão pessoas para detectar ameaças terroristas na Olimpíada

As Forças Armadas vão "sensibilizar" setores envolvidos na organização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, que se iniciam em agosto, para que percebam ameaças terroristas. O treinamento será dado inclusive para profissionais do setor hoteleiro e taxistas. As estratégias foram anunciadas nesta quarta-feira pelo Ministério da Defesa.

Além do Rio de Janeiro, cada cidade que receberá jogos de futebol (Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Salvador e São Paulo) terá seu próprio centro de comunicação integrada de combate ao terrorismo. Serão desenvolvidas "atividades de inteligência" para evitar ou dissuadir atos violentos e "atividades ofensivas de caráter repressivo" para combatê-los.

Os integrantes da equipe antiterrorismo vão atuar conforme o chamado protocolo de incidentes, que inclui uma série de eventos possíveis e determina como eles devem agir e quem coordenará a ação. Militares já estão sendo treinados e, logo, devem participar de uma simulação de ato terrorista.

O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, no entanto, não quis pormenorizar o plano de ação nem informar se os militares já estão mapeando pessoas potencialmente perigosas para o País. "O Ministério da Defesa, o Ministério da Justiça e órgãos de segurança cumprem todas as recomendações. Não é prudente descrever e anunciar os detalhes para que a eficácia dessas ações seja garantida, inclusive no âmbito da cooperação internacional", disse Rebelo. "Infelizmente, jogos olímpicos são alvo de terrorismo desde 1972, quando um atentado matou atletas e treinadores israelenses em Munique".

Cerca de 38 mil militares vão atuar na segurança da Olimpíada, 20 mil apenas no Rio, divididos entre as quatro regiões olímpicas de Copacabana, Maracanã, Barra da Tijuca e Deodoro. Durante as Paralimpíadas, esse efetivo diminui para 18 mil. A Defesa, segundo o ministro, dispõe de R$ 704 milhões em recursos, acumulados nos últimos dois anos, para realizar treinamentos, comprar equipamentos e planejar ações durante a competição. Além de prevenir o terrorismo, as Forças Armadas também vão atuar no transporte aéreo logístico, na proteção de estruturas estratégicas, na segurança cibernética, na escolta de pessoas "VIP" e na defesa química, biológica, radiológica e nuclear.

Em situações excepcionais, os militares terão poder de "polícia". "O emprego de força de contingência só será utilizado quando a segurança pública perder o controle da situação", informou o almirante Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. A exceção são os integrantes da Marinha, que poderão agir em qualquer circunstância durante os jogos que ocorrem no mar. Ainda assim, são ações que dependem de autorização expressa da presidente Dilma Rousseff - algo que, segundo Sobrinho, deve ocorrer em meados de maio.

Rebelo disse não acreditar que manifestações, comuns durante crises políticas, possam prejudicar o andamento dos jogos. "Não estamos prevendo nada nesse sentido, mas estamos preparados para eventualidades. Ocorrências lamentáveis devem ser reprimidas", disse o ministro, assegurando que o Brasil está preparado para receber um evento desse porte. "Quando escolhem um país, é porque ele já tem potencial."