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Fratus mira ouro, virar ídolo e inspirar brasileiros na Olimpíada

(Foto: Satiro SodrŽ/AGIF) - Fratus mira ouro, virar ídolo e inspirar brasileiros na Olimpíada
(Foto: Satiro SodrŽ/AGIF)

Bruno Fratus quer deixar a piscina nos Jogos do Rio ao fim da prova final dos 50m nado livre com dois prêmios. Apenas realizar o sonho de conseguir a medalha de ouro não será suficiente para quem quer virar ídolo e servir de inspiração para futuras gerações de nadadores.

O velocista brasileiro na água superou o campeão olímpico de 2008 Cesar Cielo nas seletivas. Fratus, de 27 anos, alimenta a expectativa de virar exemplo para os mais novos ao se basear na própria história.

Quando tinha 11 anos, o atleta ignorou o fuso horário de mais de 12h entre Brasil e Austrália para acompanhar as provas de natação nos Jogos de Sidney. A vibração com as disputas o fizeram ter a certeza de que um dia queria estar do outro lado da televisão.

“Em 2000 a nossa medalha no revezamento me deu o ‘estalo’ de ser um atleta olímpico, isso em uma época sem rede social e com a competição do outro lado do mundo”, contou neste domingo o nadador. A equipe masculina brasileira obteve o bronze nos 4x100m naquela ocasião, atrás apenas de Austrália e Estados Unidos.

A partir de semana que vem o nadador começa a disputar a segunda Olimpíada da carreira como uma das grandes apostas de medalha. O quarto colocado em Londres e bronze no último Mundial afirmou que o resultado no Rio pode ser capaz de transformar a vida de garotos, assim como Sydney-2000 mudou a dele.

“A equipe brasileira de natação é de muita qualidade. Temos a chance de ir para uma competição e conseguir um impacto para influenciar a próxima geração de nadadores. Deixar esse legado é o que me move”, explicou.

Fratus garantiu viver a melhor fase da carreira. O nadador afirmou ontem não estar mais incomodado com as dores nas costas e nem sentir o peso de substituir Cielo no papel de principal esperança brasileira de medalhas nos 50m. O campeão olímpico em Pequim não conseguiu índice para estar nos Jogos do Rio.

Curiosamente, Fratus aposta em preparação semelhante à do colega para ir em busca da medalha. O treinador dele é o australiano Brett Hawke, o mesmo de Cielo na época do ouro olímpico, em 2008, e do título mundial, em 2009. Os treinos são nos Estados Unidos.

Fratus treina em São Paulo junto com a equipe brasileira de natação disse que nos últimos dias prefere não pensar nos adversários. “O meu maior rival sou eu. Se eu nadar a prova mais rápida da minha vida, eu tenho grandes chances”, afirmou.

Até mesmo o assunto Cesar Cielo é evitado. O nadador prefere não pensar que com a ausência do campeão, vai receber a expectativa da torcida por medalhas no Rio.

Nos poucos momentos em que não pensa na Olimpíada, o nadador está de olho em jogos de tabuleiro. No hotel onde a delegação brasileira está hospedada os atletas passam horas do dia com esse passatempo.

LIÇÕES - Os Jogos de 2000, que tanto inspiraram o nadador, também viraram alerta para a preparação. O treinador australiano Brett Hawke disputou a competição em casa e sentiu a dificuldade da pressão.

“Entrar na piscina e escutar a torcida era como levar um golpe no peito. Mas o Bruno está preparado, está no auge da sua forma”, explicou. O técnico disse conversar com o nadador sobre o assunto e notou que o brasileiro tem lidado melhor com a expectativa. “Treinar em casa e ter a comida brasileira tem feito muito bem para ele.”