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Governo Federal faz mobilização contra caos aéreo na Olimpíada

A Olimpíada mobiliza o setor aéreo para o rigor na segurança e o atendimento dos passageiros. Há procedimentos-padrão contra ações terroristas, os arrastões, os privilégios às emissoras de TV, as condições climáticas adversas e até greves. A preocupação extrema é o Rio ficar sem pousos e decolagens de aeronaves durante os Jogos.

O ataque suicida que resultou na morte de cerca de 40 pessoas no aeroporto de Istambul, na Turquia, há uma semana, deixou o Governo Federal ainda mais atento. A informação divulgada pela Avianca de que um terrorista sírio teria como rota de fuga recente o Brasil, somada às ameaças em redes sociais de um integrante do Estado Islâmico, confirmada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também assusta quem trabalha ou utiliza o serviço aéreo.

"Apesar de todo o esforço e preparação, eventos como o atentado de Istambul geram um alerta. O ministério está se reunindo para reforçar um olhar especial nessas áreas. Temos medidas que serão adotadas e não podem ser divulgadas por questões de segurança. Estamos acompanhando e preparados para prevenir e atuar", ressalta o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil Maurício Quintella.

Na semana passada, a segunda versão de um manual de operações integradas exclusivo para os funcionários dos aeroportos e companhias aéreas foi lançado, e inclui medidas de condução em bloco do público frente aos arrastões. Um hotsite também foi disponibilizado com orientações aos turistas. Os materiais foram elaborados pela Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (Conaero), um fórum consultivo e deliberativo com representantes de nove órgãos do Governo Federal.

A Polícia Federal tem recebido treinamentos da Interpol (o último divulgado foi no começo de junho). Mas os policiais civis brasileiros, que devem apoiar na segurança, reivindicam melhores condições de trabalho. Ao todo, 200 chefes de estado virão ao Rio, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI). Haverá aproximadamente 800 mil turistas para os Jogos.

A demanda doméstica para os Jogos não provocou viagens extras aos Aeroportos Tom Jobim/Galeão e Santos Dumont no Rio. Mesmo assim, há chances desociação Brasileira de Empresas Aéreas (ABEAR).

O Santos Dumont concentra o maior volume de voos internos na cidade carioca. A necessidade específica das TV's para a Olimpíada, anunciada com antecedência, antecipações, desvios e retardo dos voos. Antes de entrar nas aeronaves, nos pontos de partida, os passageiros perderão mais tempo no sistema de Raio X (detectores de metais). Os funcionários do setor farão inspeções mais rígidas em todo o País. Nos voos, os pilotos não deverão abrir as portas das cabines.

PRIVILÉGIO ÀS TV's E NEVOEIROS - Um dos pontos críticos da operação está no fechamento do Santos Dumont, durante dez tardes dos Jogos, uma vez que a transmissão das provas de vela, na Baía de Guanabara, também no Centro, é feita a partir de helicópteros. Por segurança, ficam proibidos pousos e decolagens no Santos Dumont.

"A tendência é tudo transcorrer bem, como na Copa do Mundo, com os voos instalados dando vazão. Alguma adequação nos aeroportos e voos é mais uma questão de inteligência do que de processo. Mas se houver nevoeiro pela manhã, e for necessário fechar o Santos Dumont nesse período, isso vai gerar uma bola de neve em Congonhas e em todo o Brasil", comenta Ronaldo Jenkins, diretor de Segurança e Operações de Voo da As levou ao cancelamento de voos costumeiros de Avianca, Azul, Gol e Latam nesse aeroporto.

As companhias alegam que não houve impacto, dado o rearranjo do público. Mas elas estão temerosas de que a exposição negativa do tema diminua o interesse de o público de última hora ir ao Rio. Os passageiros terão que adaptar as suas programações, pois perderão mais tempo usando o Tom Jobim/Galeão e depois veículos terrestres, conforme o destino subsequente no Rio.

Na última semana, o Santos Dumont e o Tom Jobim/Galeão ficaram fechados simultaneamente, em razão de um nevoeiro. E ao menos nos três últimos anos, em agosto, pelo menos um deles teve limitação no funcionamento. Caso isso se repita, o reflexo poderá se estender para além da Cidade Maravilhosa. A demanda será deslocada para aeroportos de grandes capitais próximas, a partir do diálogo entre torres de comando. Pilotos de aeronaves já se preparam inclusive para circundar trechos do espaço aéreo até que uma pista seja liberada. Procedimento habitual, mas que deveria ser exceção.

"Para eventos como esse, o piloto planeja até adicionar combustível por conta de eventual espera. Isso vai acontecer, inclusive por tráfego excessivo ou motivos meteorológicos. Pode ocorrer do piloto nem conseguir chegar no destino. Faltam pátios em aeroportos ao redor. Mas já estamos acostumados", afirma Rodrigo Spader, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA).

O fluxo de táxis aéreos no Santos Dumont e no Aeroporto de Jacarepaguá durante a Olimpíada deixa apreensiva a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação (Fentac). Haverá restrição de horários, com prioridade para o uso do espaço aéreo para a demanda comercial. O aeroporto do Centro tentará reduzir os efeitos operando de madrugada durante os Jogos, justamente para atender voos executivos, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

"Nos preocupa a jornada e sobrecarga de trabalho vinculado aos fretados. A importância das ações antiterror é tão grande que mexe com o emocional de todos", diz Sergio Dias, presidente da Fentac. Na abertura do evento, serão mil aeronaves executivas.

Desde fevereiro a Fentac e o Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo (SNETA) discutem o acordo coletivo trabalhista para este ano. O primeiro pede a reposição salarial com base na inflação. O segundo defende um reajuste de 3,5%. "Estamos com a impressão de que não haverá acordo. Não está descartada uma greve durante os Jogos", frisa Dias.

Pelo menos 500 servidores da Anac atuarão em duas frentes: na difusão de informações sobre os direitos dos passageiros e na intensificação da fiscalização dos serviços prestados à sociedade pelas empresas aéreas e concessionárias de aeroportos.

No último dia 23, representantes do ministério visitaram a Sala Master de Comando e Controle do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), no Rio. Ela reunirá, em sistema de plantão 24 horas, do dia 20 de julho a 24 de setembro, os órgãos governamentais e entidades do setor aéreo para coordenar as demandas de tráfego durante o período do evento. Um treinamento do Sistema de Gestão de Voos Olímpicos e Paralímpicos auxiliará na tomada de decisão. Ele permitirá a visualização de tudo o que está acontecendo nos Jogos. Possibilitará, por exemplo, que o CGNA selecione uma determinada aeronave e acompanhe todo o voo, em tempo real.