22°
Máx
14°
Min

Jogos do Rio fortalecem e evidenciam a paixão dos cariocas pelo vôlei de praia

(Foto: Inovafoto/ CBV) - Jogos fortalecem a paixão dos cariocas pelo vôlei de praia
(Foto: Inovafoto/ CBV)


Se todo brasileiro é um técnico de futebol, todo carioca é um jogador de vôlei de praia em potencial. Olímpico desde 1996, o esporte faz parte do cotidiano do Rio de Janeiro pelo menos desde a década de 1930 e sua popularidade cresceu a partir de 1987, quando Ipanema recebeu o primeiro Mundial da modalidade. As redes em praias como Copacabana e Ipanema guardam histórias que vão muito além de saques, recepções e cortadas. Mais que praticar um esporte, os frequentadores das areias veem na modalidade uma desculpa para encontros, bate-papo e a criação de laços que muitas vezes passam de geração em geração. As finais disputadas por duas duplas brasileiras nos Jogos do Rio-2016 prometem dar novo fôlego a essa paixão.

Foi nos anos da década de 1990 que um grupo de amigos do Colégio São Bento passou a jogar vôlei na praia do Leme, impulsionados pelo Campeonato Mundial de Vôlei disputado no País. Naquele tempo os jogadores americanos Sinjin Smith e Randy Stoklos eram os "Reis do Rio", vencendo seguidos torneios nas areias cariocas e causando filas quilométricas de fãs que queriam vê-los jogar já em Copacabana. Mais de 20 anos depois, a rede se mudou para Ipanema, entre as ruas Maria Quitéria e Garcia D'Ávila, reúne 15 pessoas e passou a ser chamada de "Vovôlei", em referência às inevitáveis contusões que passaram a atingir seus componentes com o passar do tempo.

"A galera começou a cruzar a faixa dos 30 e os esportes tradicionais passaram a ser radicais", conta o economista Marcos Nyssens, de 38 anos. Acostumados a serem expulsos das redes dos mais velhos na adolescência, os amigos se associaram à Barraca do Carioca, onde guardam a sua rede. Quando querem jogar basta acionar o barraqueiro pelo celular e pedir para ir montando o equipamento.

O esporte é capaz até de romper a barreira entre paulistanos e cariocas. Fabio Torres, 41 anos, joga vôlei há 27 anos. Quando se mudou de São Paulo para o Rio, em 2013, ficou encantado com a profusão de redes na praia. Ele passou dois dias no Leblon radiografando os atletas de fim de semana, em busca de um grupo para chamar de seu. "Tinha pouca gente jogando no dia, deram uma brecha e estou lá. Na verdade hoje eles são meus fãs", brinca ele, que foi à Arena de Vôlei de Praia com os amigos da rede na última quinta-feira.

Em frente à Praça do Lido, em Copacabana, um encontro de gerações chama atenção. O advogado Roberto Roland tem 76 anos e 47 de vôlei de praia. Jogador de quadra, ele migrou para a areia a convite de um dos "donos" da rede, o Comandante Marques. "Ele passava com a Mikasa (bola) e eu ficava olhando, até que me chamou. Eu tinha 29 anos e ele uns 40. Tomei uma surra dos coroas (risos)", conta Roland.

A média de idade da rede de Roland é de 65 anos, mas o jogador mais velho tem 80. A tradição passa para a segunda geração. A rede ao lado da de Roland é formada pelos filhos da primeira. "Sempre perdemos deles", conta a filha de Roland, a advogada Carolina, uma das sócias da rede vizinha.