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Medalhista da natação dos EUA viveu drama do massacre de Virgina Tech

GABRIEL BOUYS/AFP - Medalhista da natação dos EUA viveu drama do massacre de Virgina Tech
GABRIEL BOUYS/AFP

Quando a equipe de revezamento 4 x 200 metros livre dos Estados Unidos venceu a final da prova nos Jogos do Rio, praticamente todos só falaram de um nome, o de Michael Phelps, que àquela altura conquistara sua 25.ª medalha em Jogos Olímpicos Mas o atleta mais veloz do quarteto naquela noite foi Townley Haas, de 19 anos, que conquistava sua primeira medalha olímpica.

Natural da Virgínia, no Texas, ele hoje é notícia por suas façanhas na piscina, mas a família é conhecida no país pelo ativismo em favor do desarmamento. E o motivo é uma tragédia que por pouco não tirou a vida de sua irmã, Emily, há 9 anos: ela foi uma das vítimas do massacre em Virginia Tech.

Tonwley tinha dez anos quando o sul-coreano Cho Seung-Hui matou a tiros 32 pessoas e deixou outras 21 feridas antes de se suicidar, na Universidade Estadual da Virginia. Ele estava em uma escola primária quando um familiar o tirou no meio da aula. Contou que seus pais estavam a caminho do hospital, para onde Emily havia sido levada. Ela presenciara o massacre e fora baleada duas vezes na cabeça. Mesmo assim, conseguiu pedir socorro e sobreviveu.

Era 16 de abril de 2007 quando ocorreu o massacre - na época, o maior da história dos Estados Unidos com arma de fogo até ocorrer um atentado em uma boate em Orlando, na Flórida, em junho deste ano, quando 50 pessoas morreram e 53 ficaram feridas. A atitude da irmã de Townley ao chamar o serviço de emergência foi fundamental para que o massacre não fosse ainda maior.

A tragédia deixou marcas na família. A mãe, Lori, tornou-se ativista pelo desarmamento - ela já trabalhou com Tim Kaine, candidato a vice-presidente na chapa democrata de Hillary Clinton. E Townley é o único da equipe onde treina que tem autorização para manter um telefone celular próximo à piscina. Foi a maneira que seus técnicos encontraram para conter a ansiedade de uma das maiores promessas da natação norte-americana.

A ansiedade, porém, não atrapalha seu desempenho. Townley foi o mais rápido na seletiva norte-americana para as provas de 200m livre dos Jogos do Rio, e na final do revezamento cravou 1min44s14, marca mais veloz do que as de seus três companheiros - além de Phelps, Ryan Lochte, que chegava a sua 12.ª medalha olímpica, e Conor Dwyer.

Nessa prova do revezamento, Phelps estava bastante cansado, pois tinha vencido pouco antes os 200m borboleta. Como sabia que iria fechar a prova, pediu ajuda dos mais novos. "O Michael chegou para nós e disse que estava cansado. Então ele falou para acelerarmos e deixarmos a equipe na liderança na sua vez que ele faria o resto. Acho que fizemos bem o serviço”, disse Haas.

A medalha foi importante porque o atleta bateu na trave na prova dos 200m livre, sua única individual nos Jogos. Ele passou pelas eliminatórias com o quinto melhor tempo, nadou mais rápido nas semifinais, passando em quarto, mas na final, mesmo com um bom tempo, ficou em quinto. O ouro foi para o chinês Sun Yang.

Mas no revezamento veio o tão sonhado ouro. Como não poderia deixar de ser, Townley foi um pouco ofuscado pelo veterano multicampeão da equipe. Um repórter colombiano quis saber o que seria da natação do país após a aposentadoria de Phelps, anunciada para depois da Olimpíada. Dwyer respondeu que ela continuará em alta. “Temos muitos bons nadadores. Townley Haas é um deles.”

Novato na seleção norte-americana, o garoto tem aproveitado para aprender ao lado de Phelps para, quem sabe, ganhar suas próprias medalhas individuais em outras edições. A próxima parada será em Tóquio, em 2020. Até lá, ele pretende evoluir e alcançar suas metas. “Depois que ele saiu da água no revezamento, olhou para mim e disse que estava muito velho para aquilo”, disse, sobre Phelps.