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Medalhista, Efimova afirma que atletas russos sofrem perseguição

(Foto: Divulgação/AFP) - Medalhista, Efimova afirma que atletas russos sofrem perseguição
(Foto: Divulgação/AFP)

A nadadora russa Yulia Efimova pouco sorriu na madrugada de segunda para terça-feira depois de sair da piscina no Parque Aquático dos Jogos do Rio com a medalha de prata nos 100 m peito feminino. A atleta teve de responder várias perguntas sobre os casos de doping que envolveram o seu país - e até ela mesma -, e criticou o que avaliou como perseguição à delegação, além de atacar a conduta de colegas que a criticam.

Acompanhada da vencedora na prova, a norte-americana Lilly King e de sua compatriota Katie Meilie, medalhista de bronze, a russa concedeu entrevista coletiva em que foi o maior alvo das perguntas dos jornalistas. "Estou feliz de estar aqui. Para mim é muito difícil nadar. Minhas últimas três semanas foram malucas e ninguém pode imaginar o que sinto. Depois de tudo isso, poderei desfrutar", comentou.

Efimova testou positivo para doping duas vezes. O histórico, aliado ao escândalo no esporte no seu país, levou a Federação Internacional de Natação (Fina) a excluí-la dos Jogos do Rio. A campeã mundial dos 100m peito reverteu a decisão na última quinta-feira, graças a um recurso apresentado e acatado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS). O órgão entendeu que a punição da Fina era inaplicável.

A repetição de perguntas sobre o tema na entrevista coletiva levou a nadadora a pedir para responder o tema em russo e não em inglês. Efimova disse entender que alguns colegas a criticaram e se recusaram a cumprimentá-la depois da prova. "Até entendo a rejeição, mas não entendo atletas que querem ser políticos. É triste que eles acreditem no que leem nos jornais, sem poder mudar, imaginar e se colocar no meu lugar", comentou.

Minutos antes da entrevista, o multicampeão olímpico Michael Phelps alfinetou a russa, sem citar o nome dela. "Eu acho que os esportes devem ser limpos. Acho triste termos pessoas que testaram positivo para doping não uma, mais duas vezes. Isso me decepciona demais", afirmou o dono de 23 medalhas em Jogos.

Efimova se defendeu da desconfiança sobre a sua condição ao explicar que mora e treina nos Estados Unidos há quatro anos, período em que só pôde passar um mês por ano na Rússia. A medalhista de prata reconheceu ter cometido erro com substâncias na primeira vez em que foi pega no doping, porém disse não ter culpa no segundo caso por ter ingerido uma proteína proibida em um iogurte que consumiu.

"Conheço muitos atletas que foram banidos por causa da Rússia. Eu não sei o que está acontecendo. O esporte tentou encontrar uma maneira de derrotar a Rússia, através dos seus atletas. Eu treino, dou o meu melhor. Acho triste quando a política entra no meio dos esportes", afirmou. A nadadora foi vaiada nas vezes em que teve o nome anunciado no sistema de som do Parque Aquático.